Cheiro de livro novo: A Luz de Cada Mundo

Título: A Luz de Cada Mundo
Autor: Rennan Andrade
Páginas: 385
Editora: Publicação independente
Avaliação: 3/5

O Rennan é parceiro do blog e esse seu livro já tinha atraído a minha atenção pela sinopse antes mesmo de recebermos a proposta de parceria. Então decidi passá-lo na frente das outras leituras e conferir logo a história de Ryze e Chloe.

"(...) jamais se deve desistir das suas metas, a não ser que você tenha que desistir também dos seus ideais. Nada nessa vida é mais importante que os seus ideais."

Ryze Hope tem 16 anos e poderia ser um adolescente como qualquer outro. Pelo menos ele gostaria de ter uma vida comum. Depois que seus pais faleceram, tornou-se um garoto sombrio, solitário e um pouco rebelde. Ele aguenta um dia de cada vez, sem se preocupar muito com o futuro ou em interagir com outras pessoas. Até que surge Chloe Lights, uma garota simpática e animada, o completo oposto de Ryze. Ela é a nova aluna da escola e cisma justamente de tentar fazer amizade com o estranho garoto de cabelos azuis do fundo da sala, que a evita a todo custo. Mas eles já estão destinados a ficarem próximos.

"A vida pode ser um jogo, mas certas coisas não possuem um botão de restart."

Depois de alguns encontros inesperados, Ryze acaba permitindo uma certa aproximação de Chloe, o que faz com que eles comecem a descobrir estranhas coincidências sobre eles. Assim, começam a investigar o motivo de ambos possuírem um amuleto desde o nascimento, que por acaso começou a brilhar (algo que nunca tinha ocorrido antes) quando ficaram juntos. Parece até magia! Mas isso não existe, certo? Até que eles descobrem que nasceram no mesmo dia e no mesmo local, então é provável que o médico que fez o parto dos dois deve ter deixado aquilo com eles por algum motivo. Mas qual seria? 

"(...) como alguém poderia lutar com a própria personalidade se somos nós mesmos que a criamos?"

Quando vão atrás de respostas, Ryze e Chloe descobrem algo que jamais conseguiriam imaginar. Eles são portadores da magia e foram escolhidos para restaurar o equilíbrio entre a magia negra e a magia pura. A cada mil anos os portadores são escolhidos para travar a guerra contra a magia negra, eliminar os representantes do maligno imperador Ronan e restaurar a luz em cada um dos mundos em que isso seja necessário.

"Aquilo era muita coisa para processarmos. Não podíamos salvar o mundo, éramos adolescentes, não podíamos arcar com tamanha responsabilidade. Era demais."

Após aprenderem um pouco sobre seus poderes e sua missão, os dois partem na maior aventura de suas vidas, viajando entre os mundos e visitando lugares que nunca pensaram existir, conhecendo pessoas interessantes e descobrindo mais um sobre o outro e sobre si mesmos. Cada um dos mundos tem algo a ensinar, mas a lição mais importante que devem aprender é conviver com as diferenças entre eles e usar suas habilidades como se fossem uma só pessoa. Será que sendo tão diferentes, conseguirão cumprir a missão com sucesso?

"Quando descobri que era um portador da magia pura, eu fiquei pensando se meu último ato seria morrer tentando combater algum dos representantes, mas conforme os dias se passaram, eu descartei essa ideia. Deixaria para morrer em um dia que eu pudesse morrer, em um dia que o destino do universo não estivesse nas minhas costas, e sim nas costas de qualquer super-homem que viesse aparecer."

Ryze é um garoto introspectivo e um pouco amargurado. A dor da perda dos pais o transformou completamente e ele não está conseguindo superar o fato de estar sozinho. Eu não tenho ideia de como seja o que ele está sentindo, mas acho que ele lidou da pior forma possível com a situação, evitando as pessoas, inclusive da família, sendo ríspido com quem tenta se aproximar e só enxergando o lado negativo da vida, sem perspectiva para o futuro. Algumas vezes ele realmente me irritou com essa necessidade de parecer revoltado e pessimista com todos. Um drama muitas vezes desnecessário. Chloe é totalmente diferente dele. É alegre, simpática, animada. Ela também tem seus motivos de tristeza, embora não demonstre. Não que ela também não tenha seus momentos de drama, mas optou por ser uma pessoa que tenta tirar o melhor da vida. Com características tão opostas, acabou que os dois se complementam muito bem, e juntos aprendem a lidar melhor com seus problemas e confusões. Ao longo do livro e dos mundos, conhecemos vários outros personagens. Nos apegamos a alguns, odiamos outros, mas cada um tem algo a acrescentar para o crescimento de Ryze e Chloe.

O enredo produzido pelo Rennan é pura criatividade. Duvido que alguém não gostaria de ter pelo menos um dos poderes que os personagens adquirem. A história criada é interessante e cada mundo tem sua própria singularidade, como se fossem várias pequenas tramas dentro de uma maior. Esse livro tem um potencial enorme. Mas tiveram algumas coisinhas que me incomodaram durante a leitura.

"— Um espírito forte não vale de nada junto a uma mente perdida."

Primeiro, achei que faltaram mais explicações. As coisas simplesmente são, os personagens aceitam, o leitor aceita, e pronto. Não gosto de fantasias que fazem a gente aceitar tudo, gosto quando o desenvolvimento é bem construído e levam os acontecimentos a serem o mais realistas possível. Isso acabou levando a outra questão: tudo é muito rápido. A forma como se conhecem, como descobrem as coisas, como aprendem os poderes e saem salvando os mundos. Mal dá tempo do leitor assimilar o que está acontecendo, imagina como uma pessoa se sentiria se estivesse acontecendo com ela? Eu iria precisar de um tempo para refletir com calma, sem dúvida. Outra coisa que me incomodou um pouco, mas outras pessoas podem gostar, é que tem muitas cenas de luta. As cenas são bem descritas, mas acontecia muita coisa, e às vezes eu ficava perdida. Além disso, tantas batalhas tornaram a leitura lenta. Mas, para quem gosta, tem realmente bastante ação.

A narrativa é em primeira pessoa, pelo ponto de vista do Ryze. Ele narra como se estivesse escrevendo em um diário ou conversando com o leitor. Isso acabou me deixando mais impaciente com ele, pelos pensamentos dramáticos e reações rebeldes exageradas. Sim, adolescentes são dramáticos, mas ele me irritava muitas vezes. E Chloe também conseguiu em alguns momentos. Apesar disso, deu para notar o amadurecimento dos personagens.

O autor escreve bem, ainda mais levando em conta o quanto era jovem quando escreveu esse livro, e acredito que sua escrita tenha se aperfeiçoado em seu novo livro, a antologia de contos A Verdadeira Morte. Algumas dessas coisas que me incomodaram podem ser revisadas e melhoradas. Então, apesar de ter detalhes que tornaram a leitura cansativa para mim e me irritaram, estou curiosa para ler a sequência. Primeiro, porque o final desse livro me deixou em choque. Segundo, porque a história é bem interessante e acredito que o segundo livro pode ser ainda mais.

Então, se você se interessou por essa história e não se incomoda com os pontos que eu comentei, acredito que irá gostar bastante da história. Se tem alguma coisa em comum comigo, pode ser que se sinta como eu, mas vale a leitura se gostar de fantasias, pois essa possui uma história bem original.



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