Livros *----* A Beira da Insanidade

À Beira da Insanidade #1
Autor: Daniel Rottas
Páginas: 380
Editora: Chiado Books
Avaliação: 4/5

A Beira da Insanidade é o livro de estreia do Daniel Rottas, nosso autor parceiro. Logo no início do livro somos apresentados ao 4K, um maquinário capaz de conectar a mente de duas pessoas, de forma que um indivíduo é capaz de passear pelas memórias do outro. A invenção visa dois principais focos: permitir maiores avanços em interrogatórios de investigações criminais e o tratamento de traumas e doenças mentais e psicológicas. Porém, quando um policial da delegacia de Tóquio é dominado pela loucura ao utilizar o equipamento em um suspeito, todos se lembram dos avisos dados pelo Dr Chiba, seu inventor, a respeito do risco de usar a máquina em pessoas com graves distúrbios mentais, como a psicopatia.

"Tanto o corpo como a mente [...] podem ser quebrados, nós aguentamos até certo ponto, mas até coisas bobas nos afetam e nos tiram do sério, por isso sempre machucamos os outros e a nós mesmos. Estamos andando sobre o gelo fino, um passo em falso e nós escorregamos ou quebramos o gelo e caímos em meio às profundezas gélidas e escuras desse mar de desespero."

Entretanto, esse suspeito parecia estar envolvido em um complexo esquema de crimes e seria muito importante para a Polícia conseguir qualquer tipo de informação a respeito. Então, a filha do detetive chefe é atacada por homens que parecem estar envolvidos no mesmo esquema daquele que havia sido detido. Mas graças a aparição de um jovem misterioso chamado Akira, ela não é ferida. Logo todos percebem que Akira talvez seja o único que possui uma mente tão louca a ponto de conseguir se conectar a qualquer outra pessoa, independente de seus distúrbios mentais, e ele começa a contribuir para o caso.

"Somente um louco pode compreender uma mente dominada pela loucura."

Akira é um rapaz um tanto singular, ele domina algumas artes marciais e é muito inteligente e frio, as vezes apresenta falas e pensamentos profundos e repletos de significado, porém em outras se revela extremamente bobo e infantil. Akira não possui uma mente completamente sadia, mas ele aprendeu a lidar e controlar seus próprios demônios. Ele frequentemente usa um tom irônico e gosta de tirar sarro das pessoas ao seu redor. Quanto a Yumi, a filha do detetive, se mostra uma menina um tanto frágil e mimada, ela passou por um situação traumática em seu passado e ainda carrega marcas do trauma em seu psicológico. Já os policiais da delegacia veem Akira de forma um tanto desconfiada, não gostam de reconhecer a dependência que tem dele para que o caso seja resolvido e tentam diminui-lo frequentemente, uma situação que pode ser um pouco cansativa, mas por incrível que pareça, Akira lida super bem.

"-[...] você é como um pássaro que feriu a asa, mas mesmo após se recuperar ficou com medo e parou de voar. Você deve confrontar seu passado, para ter paz no presente e batalhar pelo futuro. - Explicou ele."
Essa foi uma leitura que teve pontos positivos e negativos. A edição está com muitos erros de português e digitação, o que pode incomodar leitores mais exigentes. Também houveram alguns diálogos que me pareceram um tanto artificiais. Ademais, o romance entre os protagonistas pode parecer um pouco rápido para alguns, eu particularmente, fiquei incomodada apenas com a uma das últimas cenas do casal, antes de chegarem a delegacia, que achei um tanto apressada e excessiva. Mas, sinceramente, fiquei bastante decepcionada com a editora, os seus livros não são baratos e o mínimo que se espera é que ela faça uma revisão apropriada no original, essa não pode ser uma responsabilidade apenas do autor. Fica o aprendizado para os jovens autores.

Porém, a premissa da obra é muito interessante e promete conquistar os fãs de ficção e fantasia. O autor já me deu algumas spoilers sobre o próximo livro e estou bastante curiosa para conferir o que ele está planejando criar. Até porque, o final deste volume se deu em um momento bastante delicado para o protagonista e isto, somado ao ponto em que a investigação está, nos faz questionar o sucesso da força policial de Tóquio. Além disso, o autor aproveita o título dos capítulos/divisões para interagir com o leitor. E, o livro contém diversas ilustrações e, conforme vamos conhecendo os personagens, nos vão sendo apresentadas as ficha de cada um.

"-O que vale mais na balança: a vida de alguém ou uma cicatriz em si mesmo? Para mim, a vida vem em primeiro e se for por alguém que eu amo, não me importo com as feridas, desde que eu consiga protegê-las. - disse o jovem com seriedade."


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