Livros *----* O Homem de Giz

Título: O Homem de Giz
Autora: C.J. Tudor
Páginas: 272
Editora: Intrínseca 

Avaliação: 4/5

Esse livro me atraiu primeiro pela capa. Depois de ler a sinopse, fiquei ainda mais curiosa. Quando ganhei uma edição capa dura maravilhosa do meu noivo, não deu pra simplesmente deixá-lo na estante, tive que furar minha lista de leituras para lê-lo imediatamente.

Tudo começa quando um grupo de quatro crianças: Eddie, Gav, Mickey e Hoppo encontram um corpo esquartejado no bosque perto de suas casas após seguirem desenhos de homenzinhos feitos com giz. Acontece que essas mesmas crianças já haviam usados desenhos parecidos para se comunicar, cada um tinha uma cor de giz, eles criaram códigos e quando queriam se encontrar ou mandar mensagens secretas uns para os outros deixavam as mensagem no quintal um do outro. Então, foi bem esquisito quando aqueles mesmos códigos feitos de giz os levaram até o corpo. 
"Há certas coisas na vida que se pode alterar - o peso, a aparência, até o próprio nome -, porém há outras que são imutáveis, independentemente da força de vontade, do esforço e do trabalho árduo. São estas coisas que nos moldam: não as que podemos mudar, mas as que não podemos."

O assassino nunca foi encontrado e, trinta anos depois, os quatro voltaram a receber uma mensagem, nela, um homenzinho de giz enforcado. Pouco depois, Mickey é encontrado morto após uma visita a Eddie. Antes de ser morto, ele contou a Eddie que queria escrever um livro sobre os acontecimentos do passado, pois tinha descoberto quem era o assassino. Mas, ele não revelou a identidade do criminoso e Eddie decide seguir as pistas deixadas pelo amigo de infância, apesar do receio de que  Mickey tenha sido morto justamente por estar mexendo no passado e tentando relevar a identidade do criminoso ao mundo. Teriam as mensagens de giz sido enviadas a eles por causa disso? Será que eles estão na mira do homem de giz?

"Achamos que queremos respostas, mas o que de fato queremos são as respostas certas. É a natureza humana. Fazemos perguntas esperando que nos digam a verdade que queremos ouvir. O problema é que não podemos escolher nossas verdades. A verdade tem o hábito de simplesmente ser a verdade. A única escolha que temos é acreditar ou não nela."

A historia é narrada por Eddie e os capítulos se alternam entre passado e presente. Eddie vive uma vida um pacata, ele é professor, vive na mesma casa que cresceu e aluga um dos quartos vazios para uma estudante universitária, Chloe. Eddie, Hoppo e Gav ainda mantém contato e se encontram com certa frequência. Já Michey acabou se afastando dos colegas após alguns acontecimentos que se desenrolaram ainda na infância dos quatro. Confesso que achei o desenvolvimento do enredo um pouco lento, por isso que o avaliei com 4 estrelas, a autora poderia ter sido mais dinâmica ao narrar a história e nos entregar os mistérios. A cena em que as crianças encontram o corpo, por exemplo, só é narrada na segunda metade do livro, apesar de sabermos desde o início sobre este acontecimento. Porém, apesar desta certa lentidão, Tudor conseguiu me deixar curiosa o suficiente para que eu não abandonasse a leitura.

"Pessoalmente, descobri que é muito melhor pegar nossos medos, trancá-los em uma caixa bem fechada e guardá-los no canto mais profundo e escuro da mente. Mas cada um sabe de si."

Uma das questões mais interessantes do livro é a forma como a autora trata seus personagens e expõe cada um de seus podres, sem romantizá-los. Descobrimos que cada um deles possui um segredo sujo escondido embaixo do tapete e surgem muitos suspeitos. O próprio Eddie é um personagem que nos inspira suspeitas e não sabemos até que ponto podemos confiar em sua narrativa. Além disso, ela brinca com o sobrenatural, nos fazendo questionar se irá ou não utilizar questões místicas para explicar certos acontecimentos. No fim, percebemos que assim como nós, seus protagonistas são apenas humanos, propícios a erros e com medo do desconhecido, e, suas ações podem ter consequências muito sérias, tanto para eles, quanto para as pessoas ao seu redor.

"Ter princípios é algo bom. Se você puder bancá-los. Gosto de pensar que sou um homem de princípios, mas no fim das contas, a maioria dos homem acha que é. O fato é que todos temos um preço, todos temos botões que podem ser pressionados para nos levar a fazer coisas que não são de todo honradas. Princípios não pagam a hipoteca nem quitam nossas dívidas, princípios são uma moeda sem valor na rotina do dia-a-dia. Em geral, um homem de princípios é alguém que tem tudo o que quer ou que não tem absolutamente nada a perder."

A edição está maravilhosa. A Intrínseca fez um excelente trabalho neste quesito, as folhas são amareladas e o primeiro capítulo sempre começa com uma página preta. O tamanho da letra está confortável e não encontrei erros de digitação ou português. Também gostei da forma como Tudor finalizou a história, eu realmente não esperava aquele desfecho. Resumindo, o livro é bom, mas exige um pouco de paciência do leitor. 😉

"Não. Nenhum de nós está realmente preparado para  morte. Para algo tão definitivo. Como seres humanos, estamos acostumados a controlar nossas vidas. A estendê-la até certo ponto. Mas a morte não aceita argumentos. Nenhum apelo final. Nenhum recurso. Morte é morte, e ela detém todas as cartas. Mesmo que a enganemos uma vez, ela não vai nos deixar blefar na segunda."
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