Pare e Pense #3 Divergente

O objetivo dessa coluna é conversar um pouco mais sobre as problemáticas abordadas em livros, porque acredito que os autores não as colocam lá apenas para dar movimento ou ação às suas histórias, mas para nos fazerem refletir e talvez até agir de alguma forma. Queria instigá-los a pensar, mas sem nos prendermos apenas aos problemas. Quero que possa ser mais do que isso, desafiá-los a pensar em possíveis soluções. Se quiser copiar dê os créditos. =P



Oi gente! Acho que deu para vocês perceberem que eu realmente gostei muito da história de Divergente, porque já fiz resenha, filmeXlivro e agora tive a ideia de fazer esse pare e pense. Mas dessa vez eu venho falar sobre um assunto mais sério e estou usando Divergente apenas como introdução.

Alguns meses atrás, estava rolando no facebook uma reportagem sobre cenas de sexo nos livros para adolescentes (não sabe do que eu estou falando? Leia aqui). Eu resolvi usar Divergente para comentar esse assunto pela hesitação que os personagens Tris e Quatro tem em relação a isso. E também porque, circulando pelos blogs literários, um dia me deparei com um comentário que me deixou um pouco incomodada. A pessoa dizia que não entendia por que esse casal tem tanto medo de fazer sexo, já que é algo tão natural para pessoas da faixa etária deles (16 e 18 anos). Então resolvi dizer minha opinião sobre isso.

“―O quê? ― Ele solta meus pulsos, e seu olhar de dor retorna. ― Você tem medo de mim?
― Não de você ― digo. Mordo o lábio para fazê-lo parar de tremer. ― De estar com você... com qualquer pessoa. Eu nunca me envolvi com alguém antes, e... você é mais velho, e eu não sei quais são suas expectativas, e...”

Não sei vocês, mas eu compreendo perfeitamente os motivos. Primeiramente, ambos vieram da Abnegação, a mais rígida das cinco facções. As pessoas nem mesmo andavam de mãos dadas por lá. O primeiro beijo em público que Tris viu, que foi na Audácia, a deixou chocada. Como sexo pode ser uma coisa completamente normal para eles? Segundo, é o primeiro romance dos dois, eles ainda estão se conhecendo, aprendendo um com o outro, então por que eles deveriam partir logo para o sexo? Eu até achei um pouco exagerado quando a Tris começou a ficar com medo do Quatro. Eles mal tinham dado alguns beijinhos, o que a fez pensar que ele já queria levá-la logo para a cama?
Então, quando eu li que não entendiam por que eles não queriam fazer sexo e também li a reportagem, resolvi que seria interessante combinar as duas coisas e mostrar minha visão. Com o assunto já introduzido, vamos entrar na questão principal: o que vocês pensam sobre as cenas de sexo nos livros?
“Ele se vira para mim. Quero tocá-lo, mas tenho medo da sua nudez; tenho medo de que ele me deixe nua também.
― Isso está assustando você, Tris?
― Não. ― Minha voz sai rouca. Limpo a garganta. ― Não muito. Só estou... com medo do que quero.
― E o que você quer? ― Seu rosto se contrai. ― Você me quer?
Eu faço que sim lentamente com a cabeça.”
Já vou começar sendo um pouco radical: na maioria das vezes, acho desnecessário ter sexo na história. “Ah, quer dizer então que você acha que nenhum casal de jovens deve fazer sexo?”. Não é isso. Eu só não vejo necessidade de que os casais nos livros precisem fazer sexo sempre, como se fosse algo necessário para provar que o amor dos dois é verdadeiro e que isso confirma que eles decidiram ficar juntos. Em alguns livros eu realmente senti como se fosse esse o objetivo. Acho que o sexo não é essencial para demonstrar o que um personagem sente pelo outro e fico um pouco incomodada quando ele acontece de uma hora para a outra na história. Acredito que muitas vezes a relação seria mais fofa se fosse mais leve, sem adicionar o sexo. Também não estou dizendo que não deveria ter em nenhum. Acho que em alguns casos dá uma emoção a mais, mas não é sempre; tem que combinar com o que está acontecendo e ser uma coisa que surge naturalmente na história, se não fica forçado.
Em livros para jovens adultos, é normal que haja cenas de sexo, e que às vezes elas tenham alguns detalhes, não seja apenas insinuação. Mas em livros para adolescentes, não acho certo terem tantos detalhes. Mencionar o assunto é uma coisa. A adolescência é a fase das mudanças e descobertas e é natural que a curiosidade dos personagens combine com a dos leitores e o assunto surja em certos momentos, de acordo com o andar dos acontecimentos. Agora, descrever o que os personagens estão fazendo é outra coisa totalmente diferente. Acho que é para isso que os livros eróticos estão aí, para quem gosta de ler sobre sexo. Mas eu também acho que esse tipo de literatura deveria ser restrita a maiores de idade, e não ficarem expostos para qualquer um ver e comprar. Não digo isso porque alguém de 16 anos lê esses livros. Digo isso porque tem gente que é muito novinha, mal saiu da infância e já tem acesso a esse tipo de literatura.
E aqui estou eu fugindo do assunto. rs O que quero deixar claro é que, na minha opinião, livros para adolescentes não deveriam conter cenas explícitas de sexo. Eu também já fui pré-adolescente e adolescente, já li muitos livros infanto-juvenis (que ainda são uns dos meus preferidos rs) e tenho que concordar com a Thalita Rebouças quando diz “Acho que é mais importante mostrar o que se passa por dentro do personagem do que descrever sexo”. Eu também acho que é mais importante escrever o que o personagem está sentindo, o que está pensando e como tudo se reflete em sua vida, do que ficar entrando em detalhes sobre sexo. Quando eu era mais nova e li seus livros, achei até algumas partes bem ousadas. Fico imaginando as meninas de hoje em dia com a idade que eu tinha, que leem Cinquenta Tons de Cinza. Confesso que nunca li esse livro e ainda não tenho vontade de ler. Sei que vai do gosto de cada um e não estou julgando ninguém, mas será que é realmente necessário que pessoas de 12 anos tenham acesso a esse tipo de enredo e linguagem? Será que é preciso que tenham acesso a tantas descrições detalhadas? Existem muitas outras histórias ótimas por aí e acho que cada coisa tem seu tempo. Por isso acredito que cenas mais detalhadas deveriam ficar restritas a livros de conteúdo voltado para adultos e os livros infanto-juvenis deveriam ser mais discretos. Mas, como eu já disse, essa é a minha opinião.
Minha postagem ficou um pouquinho diferente das outras que a Isabela fez, mas foi o assunto que surgiu e me deu vontade de debater, então espero que tenham gostado. Agora que eu já falei bastante, quero saber o que vocês acham. Essa coluna é para discussões, então podem falar tudo. Discordam comigo? Podem discutir à vontade, vou adorar ler argumentos contrários aos meus. Concordam comigo? Vou ficar muito feliz em saber que não sou a única que penso assim! ;)

Veja também:
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