Cheiro de livro novo: O Príncipe Congelado

Título: O Príncipe Congelado
Autor: Raigor Ferreira
Páginas: 175
Editora: Astral Cultural

O Raigor é um parceiro das antigas aqui do blog e nós ficamos muito felizes quando ele anunciou que iria lançar esse livro. Conheci a escrita dele e a curiosa história desse príncipe há anos, quando era apenas um conto infantil (leia a resenha do conto) e fiquei super animada ao descobrir que ele cresceu e tornou-se um livro infanto-juvenil, publicado pela Astral Cultural. Logo que recebi o livro da editora, tratei de colocar nas minhas leituras para descobrir como estava essa história. 

"— A magia não é, necessariamente, algo que precisa estar distante de nós. Para ser mágico, basta acreditarmos que é."

Phelipe é o príncipe de Arvoredo. Seu pai, o rei, é um homem rigoroso e temido, que acredita que um reinado deve ser mantido na base da guerra. Por isso, incentiva o filho desde muito novo a desenvolver habilidades de luta. Porém Phelipe é uma criança tranquila, que não tem interesse e não leva jeito para manusear espadas e armas. Sua mãe, a rainha, discute diariamente com o marido, pois confia que Phelipe será um rei diplomático. Além disso, o príncipe ainda é muito novo para ser submetido a aulas violentas. Dia após dia, Phelipe presencia as brigas dos pais e sofre com isso.

"(...) A coroa pode significar muitas coisas, como também pode significar nada. Depende de como você vai usá-la. Pode estar em suas mãos levantar uma bandeira branca ou erguer uma espada na direção do inimigo. E essa é uma das escolhas mais poderosas que uma pessoa pode fazer em vida, mais poderosa do que tudo o que acontece depois."

Certo dia, após mais uma discussão, o rei acaba falecendo. A rainha entra em depressão profunda e recusa-se a sair de seus aposentos, abandonando Phelipe aos cuidados dos serviçais do castelo. Os anos passam, o príncipe torna-se cada vez mais solitário e é acometido por uma condição inusitada. Começou como tremores e foi avançando até que seu corpo resfriasse e os pés congelassem.

"— Corações partidos se curam. Corações congelados, não."

Com a morte de sua mãe, mais uma vez o infortúnio acomete Arvoredo, pois quando Phelipe receberia a coroa, o gelo passa a cobrir todo o seu corpo. Assim, não foi coroado, escondeu-se do mundo e passou a ser conhecido como o Príncipe Congelado. E todo o reino pereceu em um inverno sem fim.

"Ser diferente, na maior parte das vezes, é um caminho inevitável para a solidão."

Em Ignis, um reino não muito distante e sempre quente, a princesa Lavinah escuta histórias sobre o tal príncipe. Com seu corpo coberto por fogo desde pequena, ficou intrigada ao saber de alguém em situação semelhante. Decide então partir em uma aventura, determinada a conhecer o Príncipe Congelado e conseguir respostas para as dúvidas que a perturbam, e quem sabe até descobrir como controlar suas chamas de alguma forma.

"E, naquele momento, descobri que o amor é o mais forte dentre todas as outras possibilidades."

Eu já sabia a história do príncipe pelo conto, então já tinha ideia do que esperar no início. Mas contos são sempre curtos e superficiais demais para o meu gosto e eu fiquei muito feliz por poder conhecer a personalidade de Phelipe mais a fundo. Apesar de sentir pena dele por causa de toda essa situação com os pais e entender porque se isolou após o congelamento, fiquei irritada com ele em algumas circunstâncias, por ficar agindo como um menininho mimado e idiota enquanto outros tentavam ajudá-lo. A Princesa de Fogo, que era um enigma no conto, pode ser muito mais explorada. Conhecemos sua família, seu reino, sua história e sua personalidade. E eu a adorei! Ela é ousada, divertida, corajosa e determinada. Passa por várias aventuras sozinha, dignas de contos de fadas, para salvar o príncipe preso no castelo. haha Outra personagem importante na história é Helga, a governanta do palácio e quem cuida de Phelipe como um filho.

"O amor, quando é amor, não diferencia um mundo de outro, apenas os completa, como se sempre tivessem sido um só."

O livro é leve e fofo. É como um conto de fadas moderno, mas ao mesmo tempo não tão moderno assim, trazendo essa essência e também caminhando por histórias conhecidas de uma forma diferente. É repleto de magia, mesmo que não tenha muitas situações mágicas de fato. Raigor consegue abordar assuntos como pressão familiar, bullying, depressão, sem falar diretamente sobre essas coisas. O mais importante é o fato de trabalhar muito bem a questão do "ser diferente", de como lidar com essa situação e de não se deixar abater pelo que as outras pessoas acham de você. É algo muito importante de ser levado para as crianças e adolescentes.


A narrativa é em terceira pessoa, revezando os pontos de vista do príncipe e da princesa. A diagramação está excelente. A fonte é confortável, as folhas são amareladas e de ótima qualidade. O livro é cheio de desenhos na transição entre as quatro partes. A capa é super fofa e combina muito com a história. A revisão também está maravilhosa, não lembro de nenhum erro ortográfico. Só tenho elogios pelo trabalho feito pela editora.

Sempre gostei da escrita do Raigor e fiquei encantada ao ler seu primeiro livro. A história pode não agradar a todos os públicos, por possuir um teor infantil, mas está ótima e recomendo para quem curte o gênero, assim como para os mais novos, pois é uma leitura gostosa que aborda assuntos relevantes e nos faz refletir. 😊

logoblog

2 comentários:

  1. Olá Priscila! Gostei bastante da sua resenha, eu gosto de ler livros parecidos com esse, então ele me pareceu ser uma ótima leitura. Irei colocá-lo na minha lista de desejados. (^-^
    Beijos!

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    Respostas
    1. Ah, que bom! O livro é ótimo, espero que tenha oportunidade de ler em breve. ^^

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