Cheiro de livro novo: O Bicho-da-Seda

Título: O Bicho-da-Seda
Autor: Robert Galbraith (J.K. Rowling)
Páginas: 461
Editora: Rocco
Série: Cormoran Strike #2
Anterior: O Chamado do Cuco
Próximo: Vocação Para o Mal
Avaliação: 4/5

Boa tarde, leitores! Como tem sido essa época de quarentena para vocês? Eu estou tentando aproveitar o tempo livre para colocar as leituras em dia, assistir muitos filmes (em casa, claro) e tentar normalizar minha rotina de dedicação ao blog. Além disso, estou assistindo vídeo-aulas.

O Bicho-da-Seda era um dos livros que eu peguei emprestado e ficou esquecido na estante (sorry, miga!), mas decidi aproveitar o fim da residência e me lançar nessa leitura mais densa.

"Não amamos um ao outro; amamos a ideia que temos do outro. Pouquíssimas pessoas compreendem isto ou suportam pensar na questão. Têm uma fé cega em suas próprias capacidades de criação. Todo amor, em última análise, é amor-próprio."

O detetive particular Cormoran Strike agora tem uma vida bem mais confortável. Após a solução do caso de Lula Landry, sua reputação como investigador cresce e começam a surgir mais trabalhos do que consegue aceitar. Com uma renda maior, conseguiu até mesmo mudar-se para o apartamento do sótão do prédio onde trabalha e usar o escritório somente em horário comercial.

"— As pessoas se matam, sabe, Miranda, quando pensam que estão lhe tirando todo o motivo para viver. Nem o fato de os outros pensarem que seu sofrimento é uma piada pode demovê-las disso."

Apesar de clientes fiéis e com bolsos cheios de dinheiro, os negócios ainda não estão deslanchando, pois Strike tem dívidas que precisa pagar. Por isso, a maior parte dos casos que aceita são bem entediantes: homens e mulheres desconfiados de que seus companheiros possuem amantes; divórcios complicados em que as partes querem tirar o máximo de vantagem uma da outra; homens de negócios tentando descobrir fraudes.

"Leonora parecia gostar de ser interrogada. Muita gente solitária, Strike sabia, achava agradável ser o foco da atenção indivisa de alguém e procurava prolongar a experiência nova."

Até que uma estranha senhora, com aparência de quem não poderia pagar pelo seu tempo, entra no escritório. Leonora é esposa de Owen Quine, um escritor desconhecido e bastante exótico. Ele tem o hábito esquisito de desaparecer por alguns dias quando tem vontade, mas Leonora afirma que dessa vez já passou dos limites e ela precisa de ajuda em casa, principalmente porque os dois possuem uma filha que requer cuidados especiais. Sem pensar duas vezes e sem entender o que de fato o motiva, o detetive aceita o trabalho.

"Mas Leonora o procurou porque queria que o marido voltasse para casa. Foi um simples desejo nascido do cansaço e do amor, se não pelo errante Quine, pelo menos pela filha que sentia falta dele. Pela pureza desse desejo, Strike sentia que devia o melhor que pudesse dar."

Quando começa a investigar e a entrevistar os conhecidos de Quine, no entanto, Strike percebe que precisa cavar mais fundo para entender toda essa história. O escritor tinha acabado de concluir um livro capaz de gerar um frenesi, pois continha segredos sujos sobre todas as pessoas que faziam parte de sua vida. Levando isso em conta, as chances do detetive estar investigando um assassinato, e não um desaparecimento, tornam a situação bem mais intensa para ele e sua ajudante, Robin, do que era imaginado.

"(...) Não havia predadores furiosos e indiscriminados entre os suspeitos do crime. Nenhum deles tinha histórico conhecido de violência. Não havia, como costuma acontecer quando surgem corpos, um rastro de delitos do passado levando à porta de um suspeito, nenhum passado manchado de sangue arrastando-se atrás de algum deles como um saco de carniça para cães famintos. O assassino era uma fera mais rara e mais estranha: daquela que esconde sua verdadeira natureza até ser suficientemente perturbada."

Cormoran é um detetive brilhante. Agora que já estava familiarizada com o personagem, foi mais fácil compreender seu humor e sua forma de pensar. Ele se tornou até mais simpático, mesmo com seu jeitão bronco, o que me fez achá-lo carismático. Robin continua sendo uma personagem maravilhosa. Ela é inteligente, dedicada, esforçada e tem muito potencial para se tornar uma excelente investigadora. No entanto, duas coisas me irritam: a forma como Strike a trata, dando funções de secretária sem parar, quando obviamente ela poderia estar fazendo muito mais; e o quanto o seu noivo, Matthew, não entende a paixão que ela sente por esse trabalho e a desmotiva. Sério, não sei se teria a paciência de continuar com ele, como ela tem.

""No fundo', disse a agente, as palavras tropeçando para fora dela, 'Owen era uma criança grande, o que podia torná-lo insuportável ou encantador. Irresponsável, impulsivo, ególatra, com uma falta surpreendente de consciência, mas também podia ser divertido, entusiasmado e sedutor. Havia nele um pathos, uma fragilidade divertida, por pior que fosse seu comportamento, que despertava sentimentos de proteção nas pessoas."

O enredo é bem denso e algumas vezes com linguagem rebuscada. Confesso que o detalhismo da autora faz com que a leitura se torne arrastada, principalmente no início, quando ainda estamos nos envolvendo com a narrativa. Eu só consegui engrenar depois que passei da metade do livro, quando a curiosidade vencia a lentidão. Outra coisa que me incomodou, que não lembro de ter ocorrido no volume anterior, foi que nos últimos capítulos, quando de fato Strike já havia descoberto o assassino, só não o tinha revelado, tudo passou a ser mais corrido e as informações foram escondidas do leitor. Isso foi uma discrepância, quando comparado com o restante do livro, quando a gente sabia até quando um fio de cabelo caía da cabeça, e me deixou irritada porque obviamente era uma tática para que o leitor não descobrisse sozinho qual era a maior revelação da história. Apesar disso, foi uma ótima leitura, J.K. sempre arrasando nas histórias, e fiquei surpresa com o final (é, não consegui descobrir quem foi hahaha).

A narrativa é em terceira pessoa, o que mantém um tom bem impessoal, apesar de sabermos tudo que se passa na cabeça dos personagens Strike e Robin, que são os pontos de vista acompanhados. A tradução e revisão estão excelentes, encontrei pouquíssimos erros de digitação durante a leitura. A diagramação também está muito boa e é bem simples, a fonte utilizada é um pouco pequena para o meu gosto, mas não é desconfortável, as folhas são amareladas. A capa segue o mesmo estilo do livro anterior, com uma silhueta masculina em ambiente urbano.

Eu gosto de acompanhar as investigações de Cormoran e já estou curiosa para ingressar em sua próxima aventura, mas é aquele tipo de história que não me deixa ansiosa, pois cada livro é único. Apesar de não considerar como um dos melhores livros de mistério que já li, é uma história inteligente, bem elaborada e vale a pena ler, se é um estilo que te atrai. Torço para que Robin continue a crescer dentro da narrativa e tenha papéis de destaque. Ela é minha personagem preferida, sem dúvida. Agora vou aproveitar para ler alguma coisa mais leve e descansar a mente. hahaha


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