Cheiro de livro novo: O Mundo das Vozes Silenciadas

Título: O Mundo das Vozes Silenciadas
Autoras: Carolina Munhóz e Sophia Abrahão
Páginas: 287
Editora: Rocco

O Reino das Vozes que não se Calam foi um livro muito queridinho na época que eu li. Achei a história muito leve e ao mesmo tempo falava sobre vários assuntos importantes. Ainda tenho bastante carinho por esse nacional, que me conquistou desde a capa e me deixou muito satisfeita com a conclusão. Quando descobri que as autoras decidiram publicar uma sequência, fiquei curiosa para ler, claro, apesar de achar que o primeiro não precisava de uma continuação. Como ganhei de presente de aniversário da Isabela, decidi conferir logo essa nova história.

"Para mudar, é preciso apenas encontrar vontade dentro de si."

Cinco anos após o livro anterior, Sophie não é mais a adolescente insegura de antes, muitas coisas mudaram em sua vida. Formou-se na faculdade de música e está tendo a oportunidade de trabalhar com uma banda de rock incrível, a Maguifires, como assistente do famoso empresário Jonas Richmond. Atualmente, eles estão em turnê pela Europa, o que está sendo desafiador, não apenas por ser seu primeiro emprego, mas também por estar longe de todos que conhece por vários meses.

"— Problemas existem todos os dias e na vida de qualquer um. Precisamos de desafios para nos tornarmos seres humanos melhores. Artistas melhores. É na dificuldade que encontramos crescimento."

A distância também pode ajudá-la a esquecer Léo, ao lado de quem foi feliz durante quatro anos. Parecia que nada seria capaz de separá-los, até que a banda dele estourou nas paradas, e o rapaz foi seduzido pela fama, deixando Sophie cada vez mais de lado. Após ser desprezada, ela luta para seguir seus sonhos, mas nunca conseguiu deixar Léo para trás. Para ajudar no seu crescimento diário, a vida colocou um anjo em seu caminho: Nicholas, o vocalista da Maguifires, com quem mantém um relacionamento e sente-se acolhida.

"— (...) Você se lembra de que conversei com você sobre não deixar as pessoas se tornarem um ponto de apoio onde se sustentar? Uma pessoa não precisa de ninguém para ser feliz. Só de si mesma."

E o Reino? E os Tiros? Sophie se afastou deles há muitos anos quando decidiu seguir com sua vida. Mas tudo vira de cabeça para baixo quando um re-encontro com Léo parece mais próximo do que nunca, seu relacionamento começa a desandar, seu trabalho apresenta desafios inesperados e ela precisa ter forças para não se entregar novamente a depressão. Em meio a todo esse caos, é chamada de volta ao Reino e descobre que por lá as coisas também mudaram. O povo mágico sofreu pela decisão de Sophie e agora a princesa deve repensar suas escolhas, pois podem afetar toda a população. Estaria ela preparada para, mais uma vez, ter que tomar uma decisão que mudará o rumo de toda a sua vida?

"— (...) Você vai precisar enfrentar seus medos, Sophie. Não deixe que eles tomem conta de você. Ninguém nasce para sofrer e se apagar do mundo."

Admito que estava com uma expectativa bem alta para essa história e me senti um tanto frustrada com a leitura. Os personagens mudaram muito e não tive a mesma conexão com eles como no anterior. As maior parte das mudanças de Sophie foram boas. Tornou-se uma mulher mais segura de suas decisões, independente, aprendeu a se valorizar e a se enxergar como uma pessoa bonita e inteligente, e está preparada para enfrentar qualquer desafio que surgir. O término com Léo a deixou devastada, mas isso era esperado, já que ele foi o seu grande amor e isso não é algo fácil de superar. Na verdade, ela reagiu de modo muito positivo, se pensarmos como a Sophie de antes ficaria nessa situação. Mas o que eu percebi durante a leitura, é que ela não mudou tanto assim. Apesar de estar se mostrando uma pessoa mais forte, ainda é muito frágil e não consegue lidar tão bem com tudo que vai acontecendo. Então, por um lado tiveram mudanças boas sim, mas por outro, nem tudo é como querem nos fazer ver. O que eu não consegui engolir foi essa alteração radical de personalidade do Léo. Ele sempre foi um garoto popular, mas lidava muito bem com isso e amava demais Sophie. Não consigo imaginar aquele Léo que conhecemos no livro anterior se tornando essa pessoa idiota e mesquinha, que é a imagem que nos passam. E o pior: ela continua o amando, não importa o que tenha acontecido. Sério, eu fiquei meio irritada com essa relação de amor e ódio. A pessoa que eu mais gostei de conhecer foi Nicholas, que é simplesmente perfeito. Atencioso, amoroso, paciente e quer o bem da namorada acima do seu próprio. É difícil entender porque Sophie não consegue se entregar, mas infelizmente sabemos que o coração não funciona de forma óbvia. Também temos o retorno de outros personagens queridos, mas as diferenças foram mais em suas vidas do que em suas personalidades.

"— Nunca mude sua essência, apenas os pontos soltos que perceber ao longo de sua caminhada."

A história também não me encantou como a de antes. Talvez pelo foco dessa vez não ser o Reino mágico e sim a vida real de Sophie. Senti falta da fantasia e acho que isso me desanimou, porque até nos momentos em que ela estava lá, as coisas não eram como antes. Ela ficava irritada com tudo e eu ficava junto. haha Eu esperava a mesma magia que encontrei no primeiro, e acho que esse foi um dos maiores motivos para eu ficar frustrada com a leitura.

A narrativa é em terceira pessoa, pelo ponto de vista de Sophie. O trabalho da editora Rocco é sempre maravilhoso e esse não poderia ser diferente. A revisão está excelente e o livro é repleto de detalhes em todas as páginas. A fonte é confortável para a leitura e as folhas são amareladas. A capa segue o mesmo estilo da anterior, sendo um pouco mais séria e com tons mais sóbrios, diria até menos mágica, o que combina com o livro. Ela é muito bonita e com toque levemente aveludado.

"— A vida nem sempre é justa, mas precisamos superar os obstáculos que surgem, entender como ela funciona."

Para concluir, não posso dizer que foi uma leitura ruim, mas acho que fui com expectativas muito grandes, por ter me encantado com o primeiro livro, e a queda foi grande devido a isso. Não chega nem perto do anterior e eu ainda acho que não precisava ter tido essa continuação. O final me surpreendeu bastante, não esperava essa atitude de Sophie, mas também me deixou mais satisfeita do que qualquer das possibilidades que havia pensado. Esse livro sim merecia uma sequência, mas não sei se me interessaria tanto depois do que li nesse. haha Se você leu o primeiro e se encantou como eu, esteja preparado para se decepcionar ou se maravilhar. Cada um pode enxergar de uma forma diferente, então ainda recomendo que leia. Mas se nem o primeiro interessou, então melhor nem arriscar mesmo. hahaha E você, conhece essa história?


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