Cheiro de livro novo: A Viajante do Tempo

Título: A Viajante do Tempo
Autora: Diana Gabaldon
Páginas: 800
Editora: Saída de Emergência Brasil (Arqueiro)
Série: Outlander
Próximo: A Libélula no Âmbar

Já tinha lido vários elogios sobre essa série e a história sobre viagem no tempo me deixou realmente curiosa, então, quando descobri que uma amiga tinha o livro, peguei logo emprestado! 😃 O número de páginas é um pouco assustador, mas quando entrei de férias da faculdade não me intimidei e devorei o livro. É muito bom!

"Ninguém nunca para e pensa no que se baseiam os romances. Tragédia e terror, modificados pelo tempo. Acrescente-se um pouco de arte à redação e voilà!, um enredo emocionante, capaz de fazer o sangue correr mais rápido nas veias e as mocinhas suspirarem."

Claire é uma mulher jovem, que atuou como enfermeira durante a Segunda Guerra Mundial. Com o fim da guerra, em 1945, ela finalmente reencontra o marido, Frank Randall, e os dois decidem viajar para as Terras Altas, na Escócia, em uma segunda lua de mel, para curtirem um pouco do casamento que perdeu alguns anos de convivência.
Frank é professor de história em uma universidade e seu maior hobby é pesquisar sobre sua árvore genealógica e descobrir mais sobre seus antepassados. Às vezes isso se torna bem entediante para Claire, mas ela também tem seus próprios passatempos, e adora aprender sobre botânica. Um dia, resolve ir até um misterioso círculo de pedras para buscar plantas, que havia visto após presenciar escondida um antigo ritual secreto. Então o impossível acontece: começa a ter sensações e a ouvir sons esquisitos, até que repentinamente tudo para. Quando resolve ir embora, assustada, depara-se com pessoas estranhas, vestidas de forma antiquada, montadas em cavalos. Após passar por situações perigosas e improváveis, chega à conclusão inexplicável de que viajou no tempo, e está desamparada na Escócia de 1743, duzentos anos antes de seu tempo real.


"(...) Acho que você vem de um lugar onde tudo é mais fácil. De onde você vem, não é uma questão de vida ou morte desobedecer ordens ou tomar decisões por conta própria. (...)
— Sei que você jamais me colocaria em perigo ou a ninguém mais de propósito. Mas pode facilmente fazê-lo sem intenção, como hoje, porque você não acredita em mim quando lhe digo que algumas coisas são perigosas. Está acostumada a pensar por conta própria e eu sei — olhou-me de viés — que não está acostumada a que um homem lhe diga o que fazer. Mas tem que aprender a agir assim, pelo bem de todos nós."

Em meio a essas aventuras, conhece Jamie, um jovem escocês de cabelos ruivos e intensos olhos azuis. Ele é um guerreiro forte e muito teimoso, o que o torna um pouco inconsequente, e no primeiro encontro dos dois ele está ferido. Assim, ela consegue mostrar aos homens que a sequestraram que possui habilidades muito úteis, sendo considerada médica entre aquela população sem conhecimento dos avanços da medicina e tecnológicos.

"— Você diz que tem medo de realizar uma ação aqui por medo de afetar o futuro. Isso é ilógico. Todas as ações afetam o futuro. Se tivesse permanecido em seu próprio lugar e época, suas ações, ainda assim, afetariam o que viesse a acontecer, exatamente como agora. Ainda tem as mesmas responsabilidades que teria lá, que qualquer ser humano tem em qualquer época. A única que diferença é que pode estar em condições de ver mais claramente as consequências dos seus atos. E, novamente, talvez não."

Sendo uma mulher muito inteligente e flexível, Claire rapidamente consegue forjar uma desculpa para estar naquele lugar, já que não poderia revelar o que aconteceu de verdade. Encontrando uma forma de se misturar enquanto planeja um jeito de voltar ao círculo de pedras para retornar ao seu tempo, diversas situações surpreendentes vão fazendo com que fique mais próxima de Jamie, e ela se vê dividida entre o amor e o compromisso com o marido e essa paixão intensa que está surgindo.

"(...) Tentei sorrir, mas os cantos da minha boca oscilaram precariamente. A pressão dos seus dedos nos meus aumentou. Tive a impressão de que um estava sustentando o outro; se um de nós soltasse a mão ou desviasse os olhos, ambos cairiam. Estranhamente, a sensação era reconfortante. Onde quer que estivéssemos nos metendo, ao menos estávamos juntos nisso."

Claire é uma mulher moderna e independente. Tem 27 anos e passou por diversas situações complicadas, principalmente durante a guerra, que a tornaram forte e decidida. Eu não conheço muito os hábitos femininos da época do pós-guerra, mas várias vezes eu achei que ela era moderna e ousada até demais, parecendo mais uma mulher de agora do século XXI. Mas não vou julgar, acho que a autora pesquisou muito antes de escrever o livro (o que não quer dizer que não tenha viajado um pouco nas personalidades, né?). Frank é meio chatinho, com a fixação que tem pela história da sua família (que nem é tão legal quanto ele acha), mas é visível o quanto ama a esposa e como eles se entendem bem. Já Jamie é bem mais jovem, e apesar de viver em uma sociedade antiquada, é muito educado e gentil. Mesmo sendo um pouco bruto às vezes, é muito paciente e respeita e entende a Claire como ninguém mais naquele lugar. É impossível não se apaixonar por ele e tenho certeza que nisso a imaginação da autora falou mais alto. Se nem em 1945 os homens eram tão legais com as mulheres, não consigo imaginar um homem em 1743 assim tão perfeito e compreensivo. Esse é o único deslize que notei na história toda, mas é totalmente aceitável, porque os personagens deveriam ser interessantes e conquistar os leitores, caso contrário não teria o romance esperado e a história não seria tão boa. Então não ligo se é condizente com a realidade ou não, estou apaixonada por esse ruivo! 😍

"E se havia eternidade, ou mesmo a ideia de eternidade, talvez Anselm tivesse razão; tudo era possível. E todo amor?, perguntei-me. Eu amara Frank; ainda o amava. E amava Jamie, mais do que a minha própria vida. Mas cerceada pelos limites da carne e do tempo, não podia ter ambos. No além, talvez? Haveria um lugar onde o tempo não mais existisse ou onde ele parasse? Anselm achava que sim. Um lugar onde tudo era possível. E nada era necessário."

A narrativa é em primeira pessoa, pelo ponto de vista da Claire. Sabemos sempre o que ela está passando, sentindo e pensando, e sofremos junto com ela em todas as dificuldades e indecisões. 
A escrita da autora é maravilhosa. As descrições de lugares e fatos são muito detalhadas e eu conseguia visualizar perfeitamente o que estava acontecendo. Não lembro de ter lido algum romance histórico antes, e fiquei surpresa com a riqueza de detalhes sobre a época em que os clãs ainda dominavam as Terras Altas. Não conheço nada da história da Escócia, mas a autora conseguiu dizer tudo que era importante saber para entender seu enredo. 
O ponto alto do livro, além das incríveis descrições históricas, é o romance. Achei que em algum momento a leitura acabaria tornando-se cansativa ou repetitiva, já que no fim das contas não parece ter muita história para contar, mas estava enganada. Quanto mais eu lia, mais queria ler, e a todo momento coisas novas aconteciam. Não sei de onde essa mulher tira tanta criatividade para escrever, porque ainda tem muitos livros enormes até o fim da série. Talvez uma das coisas que mais tenha me surpreendido seja o nível de detalhamento de tudo, inclusive das cenas mais íntimas do casal, o que eu não estava esperando. Não que seja considerado erótico ou algo do tipo, apenas mais ousado do que os livros que costumo ler.
Uma coisa que não chegou a me incomodar, mas me deixou intrigada, é a forma como a Diana conduz o romance entre os personagens. Ela faz isso com tal habilidade que é impossível não torcer para a Claire se render aos encantos de Jamie, apesar disso não ser certo, já que ela é casada.

"(...) É a dolorosa verdade que nós ainda não sabemos por que le bon Dieu permite que o mal exista, mas temos a Sua palavra de que isso é verdade. 'Eu criei o bem', Ele diz na Bíblia, 'e Eu criei o mal'. Consequentemente, até mesmo pessoas boas, acho, especialmente as boas — acrescentou ele pensativamente —, podem deparar-se com grande confusão e dificuldades em suas vidas."

A diagramação está perfeita, como os livros da Arqueiro costumam ser. O livro é dividido em sete partes, que separam os diferentes ambientes em que Claire se encontra. Cada parte possui um número variado de capítulos, que são longos, mas que também possuem algumas divisões. 
Só tenho a dizer que gostei muito da história e estou ansiosa pela sequência (apesar de estar com medo da enorme quantidade de páginas). Se você ainda não leu e se interessou pelo enredo, leia, tenho certeza de que vai se apaixonar assim como eu! #Recomendadíssimo