Pare e Pense #4 Inferno

O objetivo dessa coluna é conversar um pouco mais sobre as problemáticas abordadas em livros, porque acreditamos que os autores não as colocam lá apenas para dar movimento ou ação às suas histórias, mas para nos fazerem refletir e talvez até agir de alguma forma. Queremos instigá-los a pensar, mas sem nos prendermos apenas aos problemas. Quero que possa ser mais do que isso, desafiá-los a pensar em possíveis soluções. Se quiser copiar, dê os créditos.

Quem leu a minha resenha de Inferno sabe que adorei a história. Enquanto eu lia, logo comecei a pensar no quanto estavam sendo expostos assuntos nos quais deveríamos pensar mais seriamente, que não dariam para ser comentados apenas na resenha, então resolvi fazer um Pare e Pense aqui no blog e com o filme perto de lançar nos cinemas, fiquei mais motivada a publicar. Na minha opinião, esse foi o melhor livro do Dan Brown. E foi o que mais me fez refletir também. Decidi então dividir um pouquinho das minhas conjecturas com vocês e quero saber o que pensam sobre o assunto também. ;)

“— Complicado? ― ele interrompeu. ― Não é, não! Nada poderia ser mais simples. Se quisermos ter mais água potável per capita, precisamos de menos gente no mundo. Se quisermos diminuir as emissões de gases poluentes por veículos automotores, precisamos de menos motoristas. Se quisermos que os oceanos consigam repor seus cardumes, precisamos de menos gente comendo peixe! (...) Abra os olhos! Estamos à beira do fim da humanidade e o que nossos líderes mundiais fazem é ficar sentados em seus gabinetes encomendando estudos sobre energia solar, reciclagem e carros híbridos?”

A primeira questão importante e que mais chama a atenção ao longo do livro é a superpopulação humana. Todos sabem que a população mundial deu um salto enorme em poucos anos e que estamos atingindo um limite perigoso para o planeta. Se a população continuar aumentando, em pouco tempo os recursos naturais da Terra se esgotarão e haverá disputas por coisas básicas, como comida e água. Nós sabemos que os recursos são limitados, por isso há tantas discussões para se tentar descobrir o melhor jeito de lidar com essa questão, para economizar, evitar o desperdício, reciclar, etc. Mas o ponto principal disso tudo e que não é realmente analisado é que, enquanto existirem tantos humanos, o planeta não poderá nos sustentar por muito mais tempo. É em torno disso que gira a história.
Claro, não podemos levar isso tão ao pé da letra, pois atualmente já se sabe que a população atingiu um ápice e está prestes a declinar. As pessoas ainda têm muitos filhos, mas esse número tem diminuído drasticamente, principalmente nos países desenvolvidos, o que levará a uma diminuição gradativa da população. Eu apenas acho que isso não deveria nos tranquilizar tanto, pois quem garante que o nosso planeta também não está perto de atingir seu máximo? Antes mesmo que o número de seres humanos comece a cair, o planeta pode entrar em colapso.


“―Em circunstâncias normais, o processo evolutivo leva milênios para acontecer (...). Mas agora podemos realizar adaptações genéticas radicais em uma única geração. (...) O problema é que nossa estrutura genética é como um castelo de cartas: todos os elementos estão interconectados e se sustentam mutuamente, muitas vezes de maneiras que não compreendemos. Se tentarmos eliminar um único traço humano que seja, podemos levar centenas de outros a se modificarem ao mesmo tempo, talvez com consequências catastróficas.”

A outra questão que mexeu com meus nervos foi a evolução da engenharia genética. Sem dúvidas é uma tecnologia fantástica, mas ao mesmo tempo muito assustadora. É algo que pode trazer inúmeros benefícios, mas nas mãos erradas pode causar muito dano. O maior problema é que, inevitavelmente, as novas tecnologias sempre são usadas tanto para o bem quanto para o mal.
Porém, o maior dilema envolvido nisso é o uso da engenharia genética para o aperfeiçoamento de nossa própria espécie. Brincar com os genes é extremamente perigoso, a biologia é uma ciência delicada demais e impossível de ser totalmente compreendida. Não podemos prever os resultados que as alterações no genoma humano poderiam causar. Claro que seria maravilhoso se todas as crianças já nascessem imunes a diversas doenças, a busca incessante de nossa espécie é pela cura de todas as enfermidades, mas acredito que alterar os genes causaria muito mais anomalias do que benefícios. A evolução ocorre de forma lenta e gradativa, em geral provocando mais danos do que mudanças favoráveis para as espécies. 

“(...) a legalização dos aprimoramentos genéticos logo criaria um mundo de favorecidos e desfavorecidos. Nós já temos um abismo cada vez maior entre ricos e pobres, mas a engenharia genética criaria uma raça de super-humanos e de... supostos sub-humanos. A senhora acha que as pessoas estão preocupadas com o um por cento de ultrarricos que manda no mundo? Imagine se esse um por cento fosse também, literalmente, uma espécie superior: mais inteligente, mais forte, mais saudável. É o tipo de contexto perfeito para a escravidão ou a limpeza étnica.”

Mas acredito que não estamos tão distantes dessa realidade, já que hoje em dia vegetais e animais modificados geneticamente estão se tornando comuns. Mesmo que existam tantas discussões sobre serem ou não prejudiciais à saúde, não podemos negar que as modificações genéticas já estão sendo realizadas e estamos avançando cada vez mais rápido, e a questão é que em breve isso começará a ser feito em humanos também (se já não estiver sendo feito). E um dia isso se tornará acessível à população. E, como é exposto no livro, quem será favorecido serão as pessoas que têm dinheiro para realizar os procedimentos, aumentando ainda mais as diferenças entre os ricos e os pobres. Isso me faz retornar ao fato de que, dependendo de quem controlar essa tecnologia, poderá haver as piores guerras imagináveis.

Finalizando, eu sei que as probabilidades de acontecer algo parecido com o que o livro traz são bem baixas, mas levantou assuntos importantes que achei legal discutir. Mesmo que pareça estar ainda muito distante de atingirmos o limite do planeta, ou de avançarmos tanto na ciência, precisamos estar sempre atentos a essas questões. Pensar que nossos governos manterão tudo sob controle se as coisas começarem a desandar é tolice. Enfim, são assuntos muitos extensos e nem em uma postagem exclusiva para isso é possível debater todas as possibilidades. Agora eu queria saber a opinião de mais alguém sobre eles. =)

“(...) Ao longo de toda a história da humanidade, todas as tecnologias inovadoras desenvolvidas pela ciência foram transformadas em armas, do simples fogo à energia nuclear, e quase sempre pelas mãos de governos poderosos. De onde você acha que vêm nossas armas biológicas? Elas são criadas a partir de pesquisas realizadas em lugares como a OMS e o CDC.”

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