Cheiro de livro novo: O Nome do Vento

Título: O Nome do Vento
Autor: Patrick Rothfuss
Páginas: 650
Editora: Arqueiro
Série: A Crônica do Matador do Rei (Primeiro Dia)
Próximo: O Temor do Sábio

Meu namorado passou meses me perturbando para ler esse livro, até que, aproveitando as férias, resolvi pegá-lo. E então consegui entender porque ele passou dias sem me dar atenção por estar lendo, porque ele queria tanto que eu lesse também e porque ele amou tanto a história ao ponto de querer compartilhá-la a todo custo. Agora é a minha vez de incentivar todos que estejam ao meu alcance a lerem também! xD Preparem-se para uma longa resenha...

Somos apresentados a um homem misterioso conhecido como Kote. Ele é dono da hospedaria Marco do Percurso, numa cidadezinha isolada qualquer, aonde está há pouco tempo, portanto não possui muitos clientes. Tem cabelos vermelhos como a chama e os olhos verdes que mudam de cor. Ninguém sabe ao certo sua idade, mas é mais jovem do que aparenta, não deve passar dos 30 anos. Pode parecer um homem comum, sem nada que chame muita atenção, mas isso é porque ele está se escondendo por trás dessa fachada. Antes ele era Kvothe, um homem brilhante e incrível, alguém que já recebeu muitos nomes devido aos seus grandes feitos. Mas agora todos acham que Kvothe está morto.
"— Meu avô sempre me disse que o outono é a época certa para arrancar as coisas que a gente não quer que voltem a incomodar. — disse, e acrescentou, imitando o tremor da voz de um velho: — 'As coisas ficam muito cheias de vida na primavera. No verão ficam fortes demais e não se soltam. O outono...' — interrompeu-se e deu uma espiada em volta, observando as folhas que mudavam de cor nas árvores. — 'O outono é a época. No outono tudo se cansa e fica pronto para morrer.'"
Até que um dia surge o Cronista na hospedaria e de alguma forma ele sabe a verdadeira identidade de Kote. Acaba convencendo-o a contar sua história real. Existem inúmeras historinhas e mitos contados pelo povo sobre Kvothe, já que ele é uma lenda de seu tempo, mas nem de longe são fiéis ao que aconteceu. Apesar de jovem, ele já passou por muitas situações difíceis na vida e realizou ações inacreditáveis. Pede ao Cronista, então, três dias para contar toda a sua história.
"Quem consegue encontrar alguém assim, alguém a quem abraçar e com quem fechar os olhos para o mundo, é uma pessoa de sorte. Mesmo que dure apenas um minuto, ou um dia."
Nesse primeiro dia conhecemos o pequeno Kvothe. Ele nos conta partes importantes de sua infância, antes de tornar-se famoso, e o início da adolescência, quando começou a criar sua reputação. Kvothe sempre foi uma criança inteligentíssima e curiosa. Inicia a história com 11 anos de idade, quando vivia com os pais, que eram artistas itinerantes da trupe dos Edena Ruh. Com eles aprendeu a ser um ator e músico perfeito. Nos apresenta seu primeiro mestre, Abenthy, com quem aprendeu coisas que para os leigos podiam ser consideradas magias. Foi por causa dele também que ganhou seu fascínio por querer aprender o nome do vento e foi graças a ele que pode ter uma chance na Universidade futuramente. Ele sempre aprendeu tudo com muita facilidade e tornava-se ótimo naquilo que fazia.
"— Você é inteligente. Ambos sabemos disso. Mas é capaz de ser irrefletido. Uma pessoa inteligente e insensata é uma das coisas mais assustadoras que há."
Quando seus pais são assassinados por um grupo conhecido como Chandriano, seres demoníacos que as pessoas nem mesmo acreditam serem reais, seu mundo desaba. Sem família nem dinheiro, passa anos desorientado, como mendigo. Até que um dia desperta de seu torpor e segue rumo à Universidade. É lá, com apenas 15 anos, que ele se destaca e sua reputação começa a ser formada. Faz amigos, conhece garotas, aprende diversas coisas interessantes e faz sérios inimigos. Seja se divertindo ou arrumando encrenca, seu nome rapidamente é espalhado pela região. E ele gosta disso.
"As palavras são pálidas sombras de nomes esquecidos. Assim como os nomes têm poder, as palavras têm poder. Elas podem acender fogueiras na mente dos homens. As palavras podem arrancar lágrimas dos corações mais empedernidos. Existem sete palavras que farão uma pessoa amá-lo. Existem 10 palavras que dobrarão a vontade de um homem forte. Mas uma palavra não passa de uma pintura do fogo. O nome é o fogo em si."
Apesar de muitas vezes seus caminhos o levarem para longe de seu objetivo, o que o jovem Kvothe realmente deseja é aprender o nome do vento e compreender o Chandriano. Tornar-se poderoso ao ponto de poder se vingar? Talvez.
Mas não podemos esquecer que Kvothe agora está escondido como dono de uma hospedaria. A história sobre o passado que ele está contando e os acontecimentos no seu presente são intercalados durante todo o livro. O que pode ter acontecido na vida de um homem tão extraordinário para que ela terminasse dessa forma? O que houve com o Kvothe das lendas?
"— E assim Taborlin caiu, mas não se desesperou. É que ele sabia o nome do vento e por isso o vento lhe obedecia. Falou com o vento, que o aninhou e afagou. Levou-o até o chão com a suavidade de um sopro na lanugem de um cardo e o pôs de pé devagarzinho, como um beijo materno."
Pode ser que o número de páginas assuste um pouco, mas eu garanto que vale cada palavra. O livro é PERFEITO. Eu nem lembro qual foi o último livro que achei tão incrível assim. Estou completamente apaixonada pelo protagonista (mesmo que ele tenha apenas 15 anos haha), e olha que eu não sou muito de me apaixonar pelos personagens assim... Ele é um daqueles que, se existisse uma forma de tirar do livro, eu tiraria. E já avisei ao meu namorado que ele seria substituído. xD kkk Brincadeiras à parte, o livro é muito bom mesmo. Kvothe é extremamente carismático, não tem como não gostar dele, além de ser divertido e incomumente inteligente. Ele é muito sortudo, ou muito azarado, não consegui me decidir ainda. Apesar de tantas qualidades, ele também possui defeitos, é muito esquentadinho e impaciente, o que algumas vezes é irritante. E ele é muito fofo, principalmente em relação às garotas, já que é totalmente inexperiente no assunto.
Gostei bastante da escrita do autor. Ele escreve de forma mais refinada, algo que tem sido difícil de encontrar nos livros atuais. Apesar de parecer um pouquinho complicada no início, é bem rápida de se acostumar. Achei incrível a capacidade que ele teve de intercalar momentos de adrenalina pura com momentos mais tediosos da vida de Kvothe, sem deixar que a história fique chata, além de ter conseguido transmitir o quanto a vida dele atualmente está sem brilho quando comparada ao que já foi um dia. Em alguns trechos mais lentos eu lia sem parar e quando percebia tinham passado poucas páginas; já em outros parecia que eu tinha lido tão pouco, quando na verdade já tinham passado muitas páginas. A forma de escrever dele é meio mágica. rs Ele criou um mundo todo novo, com suas próprias línguas, lendas, crenças e uma forma de viver que eu não consegui situar bem em nenhum momento da nossa história. Talvez algo um pouco após a Idade Média, mas não posso ter certeza, já que às vezes as pessoas parecem muito modernas e em outras a vida parece bem arcaica. E ainda não defini quem é mais genial: o personagem, a história ou o autor.
Eu poderia ficar dias discorrendo sobre o livro, mas acho que já estendi demais essa resenha. Infelizmente não consigo transmitir com a mesma intensidade todas as emoções que senti e nem de longe falei tudo que gostaria sobre a história. Por isso deixo aqui minha super recomendação para que todos leiam, porque só quem leu é capaz de entender o que eu sinto. rsrs E aqui vão cinco estrelas mais do que merecidas, já que não posso dar mais do que isso...


PS: Leiam! xD