Cheiro de livro novo: Pequena Ajuda

Título: Pequena Ajuda
Autor: Guinho Monteiro
Páginas: 267
Editora: Sinna

Recebi esse livro em parceria com a Editora Sinna. Já tinha curiosidade de ler a algum tempo, o Guinho Monteiro inclusive participou do nosso evento de aniversário do ano passado e falou um pouquinho sobre seu trabalho, então fiquei animada de finalmente conferir sua obra.

"— Na vida, você pode perder tudo: beleza, riqueza, amizades e amores... mas nunca vai perder o seu conhecimento."

Sebastian já foi um famoso roteirista, autor de várias novelas e séries de sucesso. No entanto, há cinco anos, após um trágico acontecimento em sua vida, passou a viver recluso, abdicou da sua carreira e se entregou a depressão. Agora, com pouco mais de 30 anos, passa seus dias entregue à bebida e aos remédios, sobrevivendo de escrever roteiros para comerciais bobos da televisão, e sendo usado por sua empresária, Natália. Não existe mais inspiração para escrever, nem propósito para viver.

"— (...) Sofia, a vida não é como os filmes que você assiste onde tudo acaba bem no final."

Sofia é uma criança esperta, que mora no apartamento ao lado do de Sebastian. Tem apenas oito anos, mas desde novinha aprendeu a se virar e a cuidar de tudo sozinha, pois sua mãe precisa trabalhar a semana inteira, retornando apenas aos finais de semana para ficar um pouco com a filha.


Até que um dia, pela primeira vez, Sofia bate à porta de Sebastian. Mesmo sem a menor vontade, ele decide deixar a curiosa menina entrar e ficar em seu apartamento até o retorno da mãe. O que ele não esperava era que esse dia não chegaria. Logo o porteiro vem informar a Sebastian que a senhorita Morales foi embora e que Sofia foi deixada para trás. Inesperadamente, esse homem sem nenhum objetivo acaba encarregado de revelar a notícia e dar um lar temporário para a criança. Sem nenhuma opção, acaba cedendo seu espaço.

"Mesmo não querendo admitir, pois no início a achara irritante, Sofia o fez sentir algo inexplicável e ele só sabia que isso lhe fez muito bem."

Com o passar dos dias, ambos vão se conhecendo e uma bela amizade surge. Mesmo com vidas e idades tão diferentes, têm muito em comum, aprendendo e ensinando diariamente. Sebastian começa a perceber que talvez a companhia de Sofia seja a pequena ajuda de que ele precisava para ignorar a passado, seguir em frente e mudar a sua vida.

"— Eu quis dizer se você já teve vontade de ter uma casa com pai, mãe, irmão ou cachorros, entendeu? — Naquele momento sua voz saiu mais calma. 

— Ah tá! — Sofia sorriu finalmente entendendo o que ele queria dizer. — Eu até queria tudo isso aí, sabe? Mas nesse momento não preciso, porque tenho você na minha vida."


Sebastian é um homem que vive atormentado pelos fantasmas do passado. Decidiu que se trancar para o mundo era a melhor forma de não sofrer mais, mas não percebe que isso só o faz afundar em sofrimento. Sofia é uma menina esperta até demais para a idade que tem, que possui problemas que nenhuma criança deveria ter, mas que leva a vida de forma alegre, sempre vendo o lado bom das coisas. Com essa personalidade animada e a ingenuidade infantil, pouco a pouco conquista o coração endurecido de Sebastian e o desperta do torpor. É muito bonito acompanhar o crescimento da amizade entre eles e as mudanças que começam a ocorrer. Priscila minha xará!, uma personagem que surge logo no começo da história, também contribui muito para o desenvolvimento da relação dos dois. Ela é meiga, fofa e atenciosa, e tem uma paciência que eu jamais teria, além de ter um coração muito bondoso. Chega a ser bobinha algumas vezes. rs Já Natália é uma mulher bem irritante, com quem não simpatizei desde o início.

"— O tempo é muito engraçado, né? Quando queremos que demore, ele passa voando, mas no momento em que desejamos que tudo passe rápido, ele fica mais lento!"

O enredo do livro é diferente da maioria dos dramas que já li, já que não se trata de um romance. A história também possui romance sim, mas o foco principal é o surgimento do sentimento de pai/filha entre os protagonistas, que achei criativo. Não posso dizer que não é previsível, pois tem vários acontecimentos que já eram esperados, inclusive certas revelações, mas algumas atitudes dos personagens conseguiram me surpreender, principalmente partindo de Sofia. No entanto, a menina às vezes parecia madura até demais, pensando ou falando coisas que me perguntava se realmente seria pertinente. Em outras, ela parecia não notar algumas coisas que estavam óbvias. rs Mas analisando bem, cheguei a conclusão de que criança é um ser imprevisível mesmo e muitas vezes não conseguimos entender como funciona direito sua cabecinha. hahaha

A narrativa é em terceira pessoa, mas segue principalmente pelo ponto de vista de Sebastian. Também acompanhamos um pouco os outros personagens, como Sofia e Priscila. A forma como a história foi escrita poderia ter sido mais fluida. Achei o desenvolvimento lento, pois as descrições são muito minuciosas, o que nos ajuda a visualizar melhor as cenas, mas torna a leitura arrastada. Acredito que se uma parte dos detalhes desnecessários fossem deixados de lado, a leitura seria mais dinâmica.

A editora Sinna fez um trabalho bonito no livro. A primeira página de cada capítulo é sempre preta, dando bastante contraste com o restante da obra, e o título é escrito com uma fonte que lembra a da máquina de escrever. Também tem várias pequenas máquinas de escrever que dividem as partes dos capítulos.

Detalhes do interior do livro

Por fim, apesar de ter demorado um pouco para engrenar na leitura por ser meio lenta, logo os personagens me conquistaram e queria saber como tudo se resolveria. O final conseguiu me surpreender e fiquei muito satisfeita com a conclusão. É um daqueles livros que te deixa com o coração quentinho quando termina, e fiquei feliz com o que encontrei. E você, já leu Pequena Ajuda?


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