Cheiro de livro novo: A Libélula no Âmbar

Título: A Libélula no Âmbar
Autora: Diana Gabaldon
Páginas: 935
Editora: Saída de Emergência
Série: Outlander #2
Anterior: A Viajante do Tempo
Próximo: O Resgate no Mar - Parte I
Avaliação: 4/5

O primeiro volume de OutlanderA Viajante do Tempo, foi um livro que me surpreendeu muito. Devorei, mesmo tendo muitas páginas. Depois fiquei louca para ler o segundo, afinal, como não ficar louca com a sinopse de A Libélula no Âmbar? Como assim 20 anos depois?! Como assim??? 😂 Bem, um ano depois de ler o primeiro, finalmente consegui um tempo para me dedicar ao segundo (ainda maior). Demorei mais de um mês lendo, porque infelizmente não tive tanto tempo, e a leitura desse não me prendeu tanto quanto a do outro, mas enfim sei o que aconteceu e estou satisfeita. haha 

"— Agora acham que você está louca; na época, achavam que você era uma bruxa. Tradições culturais — expliquei, abrindo os olhos. — Hoje em dia chamam de psicologia o que então era chamado de magia. Na verdade, não há muita diferença."


Sim, passaram-se vinte anos desde que Claire retornou para o século XX através do mesmo círculo de pedras que a levou para o passado e para Jamie Fraser. Por vinte anos, ela escondeu de todos o que de fato aconteceu nos anos em que esteve desaparecida e o motivo de ter voltado grávida.

Brianna agora é adulta e não imagina o quanto é parecida com o pai — não Frank, quem sempre acreditou ser seu pai; mas Jamie, o verdadeiro. Claire resolve voltar à Escócia depois de tanto tempo, pois sente que chegou o momento de revelar toda a verdade à filha. Mesmo sem saber qual será sua reação ao ouvir essa história louca, está decidida a não esconder mais nada.

"Mas uma pessoa não pode matar um homem por suas crenças, ainda que o exercício dessas crenças signifique a morte de inocentes — ou pode?
(...) Não sabia se a busca por uma causa nobre justificava o uso de meios desonrosos. Não sabia quanto valia uma vida — ou mil. Não sabia o preço verdadeiro da vingança."

Então somos transportados novamente para o ano de 1744, quando Claire e Jamie estão indo rumo à França, na tentativa de aproximarem-se do príncipe Charles Edward, filho do rei James da Escócia, que foi exilado e tentava a todo custo recuperar o trono. Segundo os conhecimentos de história que Claire tinha do futuro, Charles lideraria o segundo levante jacobita, organizando a rebelião que teria fim em 1746, em Culloden, onde os clãs das Terras Altas seriam massacrados pelas tropas inglesas.

"— Acho que não vai acontecer, Claire; penso que conseguiremos impedi-lo. E se não conseguirmos, ainda assim não acredito que alguma coisa venha a me acontecer. Mas se acontecer... — Parecia extremamente ansioso agora, falando em voz baixa e ardente. — Se acontecer, quero que haja um lugar para você; quero que haja alguém para quem você possa ir se eu... não estiver mais aqui para cuidar de você. Se não puder ser eu, então quero que seja um homem que a ame."

Claire, agora completamente envolvida com os costumes e a vida de dois séculos antes do seu, não consegue imaginar-se permitindo as mortes de tantas pessoas — inclusive pessoas que agora ela conhece bem —, sabendo o que está para acontecer. Ela sente que precisa fazer o possível para mudar o futuro, mesmo sem ter certeza de que é capaz de fazer isso. Como Jamie agora acredita totalmente em sua esposa, sabe que precisa lutar pelo seu povo, caso contrário ele também morrerá, assim como sua família, seu clã e seu filho, que ainda está no ventre de Claire.

"— Não é que ele ache que não pode conversar com você; ele sabe que pode. Mas é diferente conversar com um bebê daquele jeito. É uma pessoa; você sabe que não está sozinho. Mas você sabe também que o bebê não conhece suas palavras e você não precisa se preocupar nem um pouco com o que ele vai pensar de você ou com o que ele pode sentir que deve fazer. Você pode extravasar seu coração para essas criaturinhas sem ter que escolher as palavras ou esconder qualquer coisa, e isso é um conforto para a alma."

Então, para cumprir seu objetivo, que é barrar as ações de Charles, Claire e Jamie vão à França e são acolhidos por um primo de Jamie. Passam então de foragidos a membros da alta sociedade, comparecendo em bailes, organizando jantares e ficando bem próximos de pessoas influentes. Será que conseguirão evitar uma tragédia histórica? 

"Condenar ou salvar. Isso eu não posso fazer. Porque não tenho poder além do conhecimento, nenhuma capacidade de submeter os outros à minha vontade, nenhum modo de impedi-los de fazer o que eles desejarem. Há apenas eu."



Esse livro é uma verdadeira viagem pela história escocesa. No primeiro, a parte histórica tinha sido mais sutil e o romance sobressaía. Nesse, os acontecimentos históricos não fazem apenas parte do cenário de fundo, são eles que movem as ações dos personagens. Claire e Jamie estão mais ligados do que nunca e o amor entre eles é sempre bonito de acompanhar. Mesmo que eles tenham suas discussões mais sérias (mas que casal não tem?), é visível o quanto se amam, o que só faz com que Jamie pareça ser um homem ainda mais perfeito e menos real. rs

Conhecemos Brianna, a filha de Claire e Jamie, que já é uma mulher. Ela não aparece muito nesse livro e não me apeguei muito a ela. O amor que Claire sente pela filha interfere um pouco na forma de descrever suas ações, mas Brianna me irritou com algumas de suas atitudes. O outro destaque do livro é Roger, filho adotivo do reverendo Wakefield. Ele também é historiador e Claire pede a ajuda dele para descobrir algumas coisas. Eu gostei bastante dele e espero que ele volte a aparecer nos próximos livros.



"Se era saúde da mente ou do corpo, seu amor era necessário para mim como o ar ou o sangue. Minha mente buscou-o, dormindo ou acordada, e ao encontrá-lo, apaziguou-se. Meu corpo floresceu e resplandeceu, e ao alcançar a plenitude da vida, ansiou pelo corpo dele."

A narrativa é em terceira pessoa nos capítulos iniciais e nos finais, e acompanhamos o ponto de vista de Claire e Robert. Nos capítulos em que Claire está contando suas memórias, a narrativa é em primeira pessoa.

O enredo é muito interessante, mas também achei a leitura um pouco cansativa. A autora faz longas descrições sobre a história do século XIII, para situar os leitores. Isso é bom, afinal não sei nada sobre a história escocesa, mas acaba deixando a leitura muito arrastada em vários momentos. Além disso, ela é extremamente detalhista, então descreve com minúcia todos os acontecimentos, os cenários, os sentimentos e pensamentos dos personagens, e tudo mais que você possa imaginar. Não é à toa que esse livro é enorme assim.

A diagramação do livro é semelhante a do anterior. As páginas são amareladas, a fonte é confortável, mas acho que poderia ser ligeiramente maior, porque como é um livro denso, algumas vezes eu sentia a visão cansada. O livro é dividido em partes e cada parte é composta de vários capítulos. É um livro enorme, mas a revisão foi super bem feita, encontrei pouquíssimos erros de digitação.

De um modo geral, foi uma leitura muito boa, apenas as longas descrições tornam a história cansativa. Tiveram partes emocionantes e cheias de ação, mas elas não me prenderam tanto quanto o livro anterior. Por mais que eu tenha demorado a ler, valeu a pena e estou curiosa para saber o que Diana reservou para Claire e Jamie no próximo livro. Sempre parece que não tem mais o que desenvolver, mas essa autora arruma alguma coisa! rs


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