Livros *----* Harry Potter e a Criança Amaldiçoada

HP e a criança amaldiçoada
Harry Potter e a Criança Amaldiçoada. Partes um e dois. Harry Potter # 8. Autora: J.K. Rowling. Páginas: 352. Editora: Rocco. Eu estava querendo ler esse livro desde de que ele foi anunciado, mas batia um medinho, acho que é sempre perigoso continuar uma série de sucesso. Finalmente o comprei na black friday, ele foi o presente de natal do meu namorado. E, obviamente, peguei para ler logo que ele finalizou a leitura.

Harry Potter e a Criança Amaldiçoada começa logo após o epílogo do sétimo livro de HP, quando Harry e Gina estão levando Tiago e Alvo para o primeiro dia de aula em Hogwarts. Será o primeiro ano de Alvo e ele está bastante temeroso quanto a isso. Então, tudo começa ir de mau a pior, Alvo faz amizade com uma pessoa um tanto quanto inesperada, Escórpio Malfoy, e ambos são selecionados para a Sonserina. Além disso, Alvo não é um mágico extraordinário, ele é apenas um garoto comum, mas existem expectativas extraordinárias a respeito da sua pessoa e ele não sabe como lidar muito bem com isso. Ele também não é tão extrovertido quanto seu irmão Tiago, é um rapaz mais tímido e quieto, e, para completar, seu relacionamento com seu pai não anda muito bem. Pois, ao sentir o peso das expectativas de ser filho do grande Harry Potter, Alvo se sente frustrado e cansado e desconta no pai, que também não sabe muito bem como agir.

"Em cada momento luminoso de felicidade há uma gota de veneno: o conhecimento de que a dor voltará. Seja sincero com aqueles que ama, mostre sua dor. Sofrer é tão humano quanto respirar."

Então, Alvo sem querer escuta uma conversa entre seu pai e Amos Diggory. Amos havia ouvido falar a respeito de um vira-tempo que foi encontrado pelo ministério da magia e tentava a todo o custo convencer Harry a voltar no tempo e salvar seu filho, Cedrico, que morreu no Torneio Tribruxo de Hogwarts. Harry é o executor das leis da magia e apesar de saber da existência do artefato nega a existência do mesmo, e diz não poder realizar tal feito. Amos fica decepcionado e atribui à Harry a responsabilidade pela morte de seu filho. Acontece que voltar no tempo é muito perigoso, uma simples mudança pode desencadear sérias transformações no tempo e quanto mais longe no tempo for feita essa modificação, maior pode ser o efeito dela no presente e futuro. Mas, quando Alvo descobre que o vira-tempo realmente existe e está escondido no gabinete de Hermione, decide roubá-lo e realizar o feito pedido por Amos Diggory. Para isso, recruta seu fiel amigo, Escórpio. Assim, ambos embarcam numa aventura impensada, e, obviamente, as coisas não saem como o planejado e seus atos tem consequências catastróficas no tempo. Será que há algo que possa ser feito para corrigir o que fizeram ou apenas irão complicar ainda mais o futuro?

"Aqueles que amamos jamais nos deixam verdadeiramente, Harry. Existem coisas que a morte não pode tocar. Pintura... e lembrança... e amor."

Eu encontrei muitas críticas ferrenhas ao livro na internet e fiquei bastante surpresa, porque terminei o livro bastante satisfeita com o que encontrei. Não dá pra comparar com o demais livros de HP, pelo simples fato de "Harry Potter e a Criança Amaldiçoada" se tratar do roteiro de uma peça  não de um romance como os demais livros. Demorei um pouco para me acostumar ao formato do livro, mas logo que parei de ler o nome dos personagens antes das suas falas, a leitura fluiu de forma mais rápida e dinâmica. O livro pode parecer grande, mas é bem rápido de ler. Uma coisa que me incomodou foi que algumas vezes acontecia de, de um paragrafo para o outro, se passar um ano, sem que houvesse nada para indicar a quebra temporal. Esperava que houvesse ao menos um símbolo, talvez alguns asteriscos ou algo do tipo.

Mas, se teve algo que realmente me inquietou foi a vilã, eu não consegui engolir a forma como ela surgiu, foi muito inesperado e inacreditável. Até entendi as suas motivações e gostei da sua personalidade, mas não fiquei nem um pouco convencida com a sua origem. Não tenho como dizer mais sem dar spoilers... Já o Escórpio é um amorzinho, ele roubava a cena todas as vezes que aparecia junto ao Alvo, foi um amigo leal, bondoso, nerd e fofo. Alvo conseguiu ser bastante irritante, muito egoísta. Eu até entendo que ele estava passando por um bocado de coisas, mas ele podia ser pelo menos um amigo melhor. E, tem também a Rosa, filha de Hermione e Rony, ela é uma menina bastante inteligente, como a mãe, mas fiquei um tanto quanto frustrada com ela, pois me pareceu ser uma menina muito fútil, sempre muito preocupada com a sua reputação.

Não sei de onde surgiu a ideia de criar uma peça com uma nova história para a saga, mas acredito que J.K. teria deixado seus fãs muito mais satisfeitos se tivesse adaptado o roteiro e feito um romance. Afinal, muitas das críticas que encontrei estavam relacionadas a isso, mesmo que os autores não se dessem conta disso, como por exemplo: muitos diálogos, poucas descrições, a falta de um contexto mais bem explicado e construído e certa discrepância quando comparado aos demais livro da série. A verdade e que se você não gosta de ler roteiros de teatro, talvez se sinta um tanto quanto frustrado com o que irá encontrar em "A Criança Amaldiçoada", não é porque é HP que seria diferente. Além disso, essa história, assim como os outros livros, também é voltada para o público infanto juvenil, só para lembrar, porque alguns fãs parecem ter crescido e se esquecido disso.

De uma forma ou de outra, foi maravilhoso voltar a esse universo mágico e não pude evitar sentir um sentimento de nostalgia ao concluir a leitura. A peça certamente foi uma bela homenagem a tudo que Hogwarts e seus protagonistas nos proporcionaram, além de passar uma mensagem muito bonita sobre relacionamentos entre pais e filhos, que nem sempre são fáceis. Na verdade, quase sempre não são fáceis, mas são relacionamentos nos quais valem a pena investir. 😉

"O amor nos deixa cegos. O que nos dois tentamos dar aos nossos filhos não era o que eles precisavam, era o que nós precisávamos. Estivemos tão ocupados tentando reescrever nosso próprio passado que destruímos o presente deles."