Livros *----* O Mestre das Cordas

Capa do livro O Mestre das Cordas
O Mestre das Cordas. Autor: Philippe Alencar. Editora: Editora Arwen. Páginas: 560. O Mestre das Cordas é um livro de fantasia, baseado em sessões de RPG mestradas pelo autor, que é nosso parceiro. A Pri já leu e resenhou o livro aqui no blog e desde então vivia insistindo para que eu o lesse logo. E, no fim, O Mestre das Cordas acabou passando na frente de algumas de minhas leituras. 

O povo de Arkandur vivia em harmonia com a magia, os magos participavam dos conselhos das cidades e utilizavam a seus poderes e sabedoria para o bem da comunidade. Até que, um mago supostamente se envolveu com necromancia e passou a ferir pessoas inocentes. Com medo, os governantes criaram uma lei contra magia e todos os magos passaram a ser perseguidos e mortos, caçadores e mercenários os perseguiam durante o dia e espectros demoníacos os caçavam à noite. Então, eles se espalharam e passaram a viver escondidos, à margem da sociedade. 

"— Divergências de opinião podem ferir o orgulho daqueles que bradam ao mundo suas convicções, mas temem suas verdadeiras formas. Qualquer um que seja humilde o suficiente para aceitar as diferenças, não será ofendido por elas. "

É quando Aldesfer, o mago do fogo, encontra alguns pergaminhos de Rorgarth, um mago capaz de manusear o gelo e descobre que tudo o que está acontecendo está ligado à uma antiga religião e eles estão envoltos em uma guerra por poder e adoração entre deuses. Rogarth acreditava que um mago muito habilidoso estava dominando magia negra e manipulando os governantes para que eles destruíssem os demais magos. Mas ele acabou sendo morto antes que pudesse prosseguir com sua investigação e Aldesfer estava determinado a concluir essa missão. Mas, para isso, precisaria da ajuda de seus amigos: Irvin, o druida e Barton, o bardo.

"— Não se trata do preço de uma ação. Quando se percebe o mal assolando uma criatura inocente, ou você a salva, não importa o custo, ou você apenas observa. E, para mim, testemunhar crueldade e não fazer nada, não é assim tão diferente ser o próprio mal — respondera o druida, categoricamente."

Entretanto, não foi fácil convencê-los a embarcar nessa missão e Barton era o mais resistente. Algo parecia ter morrido dentro dele junto com a sua esposa, a feiticeira Estella, que foi assassinada por espectros. Mas, na verdade, não existiam muitas alternativas, ou eles seguiam essa pista ou continuavam a fugir à espera do momento em que seriam finalmente encontrados pelos caçadores ou pelos espectros. Logo vemos que Barton é quem está no centro da trama, ele utiliza a música como fonte de magia e costumava ser conhecido como "Mestre das Cordas" antes que a lei anti magia fosse decretada. Era um homem divertido e frequentemente se apresentava para pessoas influentes, mas sempre foi bastante prático e cético no que diz respeito à religião, o que contribuiu para que ele não aceitasse muito bem as suposições de Aldesfer.

"— Sabemos que a morte nos espera. O problema não é quando ela vem para levar nossa vida, mas para levar as pessoas que fazem parte dela."

Irvin é um mago ligado à natureza, ele se comunica com os animais, sabe criar todo o tipo de poções e unguentos, além de ser muito sábio. Já Aldesfer consegue criar e manusear fogo, ele tem um temperamento forte e não consegue ficar parado quando vê um problema. No meio do caminho outros personagens ainda se juntam ao grupo, são eles: Hayato, Galzur e Helene. Hayato é um mago samurai, ele é capaz manusear o fogo e o vento, além de ser um espadachim honrado e muito competente. Helene é uma ladra muito habilidosa com facas, pode parecer sensível e frágil, mas é uma mulher forte e sabe como cuidar de si mesma. Ela poderia muito bem ter tido um livro inteiro só para si, adorei conhecê-la. E, Galzur é um indígena zurgulano, um homem grande, forte e um tanto quanto ingênuo, mas também é um guerreiro fiel e determinado. Mas, a missão em que embarcaram exigirá muito mais do que força ou poder, ela cobrará humildade para reconhecer erros e vencer pré-conceitos, coragem para acreditar uns nos outros e determinação para encontrar em si mesmo a confiança, quando todas as circunstâncias lhe dizem que você não será capaz de fazer coisa alguma.

"Erros sempre serão cometidos, mas a ampulheta não faz subir a areia que já caiu. Somos nós que a colocamos de ponta-cabeça, para que só então o grão possa cair de novo. O que está por vir sempre é porta nova e pode ser aberta com mais sabedoria do que a anterior.
Sempre."
O livro é narrado em terceira pessoa, mas os capítulos se focam em personagens da trama, de modo que podemos saber o que acontece com cada um, mesmo quando eles se separam. O enredo é absolutamente complexo, fiquei até com receio de não conseguir explicar muito bem tudo do que o livro tratava. Mas não teve muito jeito, pois se eu abordasse todos os detalhes ou a resenha ficaria grande demais ou eu não conseguiria explicar sem dar spoilers. Mas foi incrível como tudo se encaixou perfeitamente, não consegui encontrar um único furo! Philippe não criou apenas personagens, ele criou um mundo novo, uma religião bastante complexa e uma verdadeira guerra entre magos, deuses e demônios. E, é curioso como por um momento perde-se o que seria o bom ou o mal e você não sabe mais para qual lado deve torcer.

Além disso, em determinada altura no livro o autor volta ao passado para nos explicar como tudo chegou até aquele momento. Confesso que nessa hora eu senti uma verdadeira agonia, porque não queria saber nada do passado, queria saber o que estava acontecendo com os personagens! Mas, então, um bocado de questões se esclareceram e foi um tanto quanto surpreendente. Logo, eu estava querendo saber mais e mais coisas sobre o passado. Porém, ao mesmo tempo, eu via que o livro estava acabando e não entendia como o autor iria conseguir concluir a história em tão poucas páginas. Então, quando o enredo foi se encaminhando para o fim, eu comecei a ficar ainda mais desesperada achando que todos os personagens iriam morrer, porque o Philippe é desses! Altas emoções! 😱😍😂😭

"— Maldição? — Bartolomeu questionou. Não eram poucos os feiticeiros e alquimistas que almejavam viver para sempre. Como a vida eterna podia ser um infortúnio em vez de uma dádiva?
— A humanidade não é capaz de suportar o fardo de uma vida interminável, Bartolomeu — a resposta veio ríspida e com tom de obviedade.
Quando se falava sobre a vida, os mais sábios humanos afirmavam que mais importante era o trajeto, não o destino final. Mas, se não houvesse um objetivo almejado, mesmo o trajeto tornar-se-ia insípido. E o único destino de tudo o que é vivo é a morte. Tire a finitude da humanidade, e ela perderá seu propósito."

Mas, apesar de todos esses acontecimentos, posso dizer que o final me agradou bastante! Esse é um livro único, mas o autor está pensando em aumentar um pouquinho a história. O novo livro começaria algumas décadas após o último capítulo de OMDC, contando com alguns personagens antigos, mas com ênfase em novos que ele está criando e eu sinceramente dou todo o meu apoio à sequência. Você também pode demonstrar seu apoio interagindo com essa publicação do autor no facebook. Se você gosta de fantasia com bastante ação, aventuras e um enredo bem construído, essa história é para você. OMDC me lembrou um pouco de O Senhor dos Anéis e acho que também merecia um filme.