Cheiro de livro novo: O Chamado do Cuco

Título: O Chamado do Cuco
Autor: Robert Galbraith (J.K. Rowling)
Páginas: 447
Editora: Rocco
Série: Cormoran Strike
Próximo: O Bicho-da-Seda

Quando descobri que uma amiga minha tinha esse livro, precisei pegar emprestado. Já tinha ouvido falar tão bem da história e Isabela também não perde tempo em elogiar (e eu tenho que confiar na opinião dela, afinal ela é a expert em livros de investigação haha), que não pude perder a chance de ler e tirar minhas próprias conclusões sobre a nova série da J.K. Rowling (que não tem nada a ver com Harry Potter. Sei lá, vai que alguém ainda não sabe haha). Mas talvez eu tenha ido com expectativa demais, e acabei não achando a leitura tão boa quanto esperava.

"O exército modelava você, quase imperceptivelmente, com o passar dos anos; esgotava-o com uma conformidade superficial que tornava mais fácil ser varrido pela força da maré da vida militar. Strike nunca submergiu inteiramente, e preferiu partir antes que isto acontecesse."

Cormoram Strike é um detetive particular com uma vida bem bagunçada. Faz tempo que não aparecem clientes, então está cheio de dívidas. Além disso, terminou o relacionamento com a mulher com quem passou os últimos 15 anos. Sem dinheiro e sem perspectiva, teve que ir morar no escritório. Como se não bastassem esses problemas, somados  ao fato dele ter sido do exército e voltado da guerra com uma perna a menos, ainda precisa lidar com Robin, em um momento em que tudo o que quer é ficar sozinho.
Robin é a nova secretária que a empresa de funcionários temporários mandou para Strike. Ela é responsável, organizada, eficiente e entusiasmada com o emprego. Apesar da péssima primeira impressão gerada por seu atual chefe, ela sonha em poder participar dos casos, mesmo que seu noivo não suporte a ideia. Strike fica um pouco hesitante no início, mas conforme convive com ela, percebe que gosta de sua companhia e perspicácia.

"(...) ele ainda não estava pronto para voltar a uma vida social decente. Tinha perdido o exército, Charlotte e meia perna; sentia a necessidade de se acostumar inteiramente ao homem que se tornara, antes de estar preparado para se expor à surpresa e à piedade dos outros."

Então surge John Bristow. Ele é irmão de Lula Landry, uma supermodelo que se atirou para a morte do apartamento onde morava três meses atrás. A polícia investigou e concluiu que havia sido suicídio, mas Bristow tem certeza de que foi homicídio. Contrata Strike na esperança de descobrir a verdade, deixando com ele um monte de informações que pesquisou por conta própria e uma enorme quantia de dinheiro.

"Strike se lembrou de Adler: 'Uma mentira só teria sentido se a verdade parecesse igualmente perigosa.'"

Cormoram, apesar de achar o homem um tanto paranoico, decide aceitar o trabalho, por ser uma ótima forma de conseguir sair do mar de dívidas em que se encontra. Porém, conforme começa a investigar, percebe que há muito mais por trás das histórias divulgadas pela mídia. Com a ajuda de Jonh e de antigos contatos, Strike consegue interrogar diversas pessoas importantes na vida de Lula, e percebe que ela não era simplesmente a garota fútil e mimada que parecia. Ela era uma filha adotada que nunca se sentiu encaixada na família, tornou-se modelo por sua beleza deslumbrante, e, apesar de se envolver com algumas pessoas duvidosas, não tinha motivos para se matar; pelo contrário, parecia saber que alguém a queria morta. Agora Strike não tem dúvidas de que precisa encontrar o assassino, antes que ele resolva ir atrás de mais alguém.

"Como era fácil tirar proveito da tendência de uma pessoa à autodestruição; como era simples empurrá-las para a inexistência, depois recuar, dar de ombros e concordar que este fora o resultado inevitável de uma vida caótica e catastrófica."

Strike é um homem que já enfrentou muitas situações difíceis, aparentando ser bem mais velho do que realmente é, e agora está passando por mais uma. É inteligente e tem o raciocínio rápido, mas está frustrado com a sua vida, o que o torna uma pessoa pouco sociável. Apesar de ser alguém difícil de lidar, aos poucos vai percebendo que se isolar pode não ser a melhor opção, e começa a confiar em Robin. Por sua vez, Robin é uma mulher simpática e interessada, veio de uma cidade pequena morar com o noivo em Londres, e é bastante ativa, saindo-se bem em situações inesperadas, o que surpreende Strike. Ele percebe que a ajuda dela no trabalho é bem-vinda, mas às vezes tem medo que ela interprete mal algumas de suas atitudes. O relacionamento entre eles é estritamente profissional, mas gostei da interação entre esses personagens tão diferentes e da forma como eles se entendem. Não, não shippo esse casal. rsrs Achei bom o fato da Robin ter um noivo, apesar de Matthew me irritar em vários momentos, por não apoiar o sonho dela.
A narrativa é em terceira pessoa, mas ficamos por dentro dos pensamentos dos personagens o tempo inteiro. Os capítulos revesam os pontos de vista de Strike e, um pouco menos, de Robin. Achei isso algo diferente, porque em geral nos livros de investigação que leio, o autor nos faz passear pela mente de diversos personagens, muitas vezes incluindo a do assassino (mesmo quando não revela quem é).

"Provar, resolver, atrair, proteger: estas eram coisas dignas de se fazer; importantes e fascinantes."

Admito que o livro é bom, mas eu esperava mais. Todo mundo fala tão bem, mas tão bem, que eu esperava um livro sensacional, só que não é. Já li romances policiais melhores. Outra coisa diferente no livro, que acabou me incomodando um pouco, é que a autora focou muito na vida pessoal de Strike (principalmente) e Robin. É claro que eu gosto de saber sobre a vida do investigador quando estou lendo, mas prefiro quando o autor vai jogando detalhes pequenos aos poucos, e o leitor vai montando o quebra-cabeça da vida dele, além do da investigação. Nesse livro não tem isso. No início tem um pouco de mistério sobre a vida de Strike, fiquei curiosa para saber os detalhes do que tinha acontecido, mas rapidamente tudo é revelado. Às vezes tem até capítulos dedicados ao drama pessoal do personagem. Isso acabou deixando a história lenta, tirando o foco do alvo principal, que é descobrir o assassino.
Porém, também tem partes boas. Gostei de acompanharmos quase sempre o rumo que a investigação está seguindo. Estamos sempre com Strike nas entrevistas que ele faz, podendo tirar nossa própria conclusão sobre o que os suspeitos estão contando de seu relacionamento com a vítima. Mas nem tudo é revelado para o leitor, portanto alguns segredos ficam guardados até o último capítulo, o que dificultou um pouco descobrir quem era o assassino. Eu não consegui acertar, apesar de até ter desconfiado brevemente, mas descartado a ideia. Então, sim, o final me pegou de surpresa! Mas achei meio esquisito. haha
Acredito que quem goste do gênero vá gostar desse livro também. A autora tem uma forma de conduzir a história um pouco diferente do convencional, e, apesar de não ter sido um dos melhores que já li, é um livro bom. 
Agora, quem já leu? Conte o que achou para mim! Conseguiu descobrir quem era o assassino? haha



Resenha da Isabela
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