Cheiro de livro novo: Para Onde Ela Foi

Título: Para Onde Ela Foi
Autora: Gayle Forman
Páginas: 216
Editora: Novo Conceito
Se Eu Ficar #2
Avaliação: 3/5

Faz bastante tempo que eu li Se Eu Ficar, antes do filme ser lançado nos cinemas. Quando li, porém, não achei tããão bom assim para explicar todo o estardalhaço que estavam fazendo em torno da história. Descobri pouco depois que teria uma sequência, o que despertou levemente minha curiosidade, levando em conta que a sinopse não era nada do que eu imaginava. Como a Isabela resolveu me dar esse livro de presente, decidi pegá-lo logo para ler e saber o que aconteceu entre Mia e Adam.

"Não entendemos realmente como a música cura o cérebro — um dos neurologistas me disse uma tarde enquanto a ouvia tocar para um grupo de pacientes no salão comum —, mas sabemos que cura." 


Passaram-se três anos desde o acidente em que Mia e a família se envolveram. Três anos em que a vida dela mudou completamente. Por causa do amor e do apelo de Adam, Mia retornou do coma, sem saber se estava preparada para enfrentar as consequências do que havia acontecido. Adam estava decidido a ficar ao lado dela, a fazer o possível para que ela ficasse bem, mas então Mia decide estudar em Juilliard e deixar tudo para trás, inclusive seu namorado. Então, há três anos estão separados.

"Não foi o que eu disse a ela? Não fiquei sobre o seu corpo e prometi que eu faria qualquer coisa se ela ficasse, mesmo que isso significasse deixá-la ir? (...)
Acabei percebendo que há uma grande diferença entre saber que algo aconteceu e saber por que aconteceu, e acreditar nisso. Porque, quando ela cortou o contato, sim, eu sabia que havia acontecido. Mas levei um longo, longo tempo para acreditar."

Adam agora é uma estrela do rock, como sonhava. Sua banda, Shooting Star, deslanchou com o último álbum e eles estão se preparando para uma turnê pela Europa. Agora eles possuem um empresário, ganharam vários prêmios, estão sempre fazendo entrevistas e sendo alvo das notícias. Infelizmente, para Adam, esse sonho tornou-se um pesadelo. Seu relacionamento com a banda está péssimo, sua vida não tem mais privacidade, está namorando uma atriz famosa simplesmente para não ficar sozinho, e o que ele mais amava fazer, que era tocar, acabou virando um peso enorme e insuportável. Todos acham que ele tem uma vida perfeita e que deveria agradecer por tudo que conseguiu, mas ele descobriu que na verdade não desejava isso e só queria que tudo voltasse ao que era antes.

"Então é assim que ficou? É assim que eu fiquei? Uma contradição ambulante, sou cercado por gente e me sinto sozinho. Clamo por um pouco de normalidade, mas, agora que tenho um pouco, é como se não soubesse o que fazer com isso, não sei mais como ser uma pessoa normal."


Enquanto isso, Mia também está realizando seu sonho. Um prodígio em Juilliard, está começando a realizar suas apresentações solo com o violoncelo e também começará uma turnê. Mas o destino está decidido a fazer com que eles tenham um reencontro.

Adam descobre que Mia tocará em um concerto na última noite antes da sua viagem para iniciar a turnê com a banda. Depois de três anos sem contato, ele decide vê-la tocar, sem esperar que ela fosse notá-lo. No entanto, não é isso que acontece, e então surge a oportunidade que ele tanto esperou, mas que também temia: finalmente poderá descobrir por que Mia o deixou para trás. O que será que aconteceu entre eles para que tudo terminasse tão abruptamente?

"Eu a deixei ir. Deixei mesmo. Mas lá está ela. Bem na minha frente."


Eu não sabia muito bem o que esperar desse livro. Assim que terminei Se Eu Ficar, imaginei que Mia e Adam ficariam juntos e seriam felizes e fim. Mas quando li a sinopse dessa sequência, realmente me surpreendi, porque eles estavam separados há três anos e sem explicação nenhuma. Foi isso que me deixou intrigada o suficiente para querer ler.

Nesse livro, temos a oportunidade de conhecer Adam muito mais profundamente do que no anterior, já que é ele quem narra a história. Podemos entender o que está acontecendo com sua vida no presente e como ele se sente em meio a tudo isso. Além disso, compreendemos melhor como era sua relação com Mia e a família dela, temos a oportunidade de rever algumas situações pelo seu ponto de vista e também podemos saber algumas coisas que aconteceram depois do livro anterior. O passado e o presente são intercalados a todo momento, o que me lembrou a forma como o livro anterior era dividido também.

"Como dizer a Aldous, como contar a qualquer deles que a música, a adrenalina, o amor, todas as coisas que aliviam quão difícil se tornou, tudo se foi? Só sobrou o redemoinho. E estou bem no meio dele."

Mia foi uma personagem que me surpreendeu, mas não de um modo positivo. É claro que eu consigo entender os motivos dela para ficar desestabilizada, ela perdeu a família, a vida virou de cabeça para baixo. Mas eu acho que ela não soube lidar bem com o que aconteceu e também não se permitiu ser ajudada. Acabou magoando pessoas que só queriam o seu bem, sem necessidade. Ela não conseguiu me convencer, como no livro anterior.

Apesar dos personagens estarem mais maduros, ainda são muito jovens e é possível perceber que não sabem bem o que querem da vida. Achei o enredo semelhante com o anterior, embora dessa vez o drama não fosse tão intenso, já que antes Mia havia sofrido um acidente grave e esse livro resume-se ao drama interno de Adam em relação ao seu romance com Mia e sua vida como cantor famoso.

A diagramação do livro está ótima e não notei nenhum erro de revisão. A fonte é confortável, as folhas são amareladas e todas as páginas possuem detalhes com notas musicais que tornaram o livro muito bonito. Não gosto muito dessa capa, já que não gosto de capas com pessoas, mas também não a acho feia. Achei muito legal que no início de cada capítulo do presente, tem um trecho de uma música do álbum famoso de Adam.

"E voltamos a isso. A ideia de que a música pode fazer tudo valer a pena — eu gostaria de acreditar. Só não acredito. Não estou nem certo de que já acreditei. Não é a música que me faz querer acordar todo dia e respirar. (...)
— E se não for isso o que você ama? — murmuro, mas minha voz se perde no vento e no trânsito. Pelo menos eu disse em voz alta. Consegui fazer isso."

Ainda que não tenha sido uma leitura ruim, foi até leve, considerando a situação dos personagens, alguma coisa na escrita de Gayle não consegue me cativar. É como se eu lesse sentindo que falta alguma coisa para me prender. Não sei explicar bem, mas me senti exatamente assim enquanto lia o primeiro também. Como se a história não conseguisse me convencer. E mesmo com todos os elogios que os outros livros dela receberam, sinceramente eu acho que não leria mais nenhum. Quis ler esse para poder saciar minha curiosidade em relação ao desfecho dos personagens e tenho que confessar que fiquei satisfeita com a resolução de tudo. Então a leitura valeu a pena, mesmo que não esteja entre os melhores livros que li esse ano.



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