Entrevista com a Autora #4 Juliana Daglio

Olá gente! Há pouco tempo o blog participou da Semana Especial Libélula e eu apresentei a vocês os livros Uma Canção para a Libélula - Parte I e II, da autora Juliana Daglio. Gostaria de ter postado essa entrevista durante a semana especial, mas infelizmente não foi possível. Porém, não é por isso que vou deixar de trazer um pouquinho mais sobre essa autora e esses livros lindos para vocês, né? Fiquei tão feliz quando a Juliana respondeu minhas perguntas e me deu uma vontade ainda maior de ler seus livros depois dessas respostas. Preciso compartilhar essa emoção com os leitores! :D

1) Como descobriu o prazer pela leitura e pela escrita?
Olá!! É um prazer enorme participar aqui no blog e poder falar um pouquinho do meu trabalho. Muito obrigada!

Bom... Eu me apaixonei por histórias logo que aprendi a ler. Meu pai que me ensinou, antes de eu entrar na escola, aliás. Ele tinha uma encanação de que eu não conseguiria acompanhar e saiu na frente. Foi bom, pois eu descobri o formato das palavras através de um livro de história, e isso definiu minha vida.
Já aos oito anos, eu sabia muito bem que queria escrever minha própria história.

2) Teve algum motivo especial que a levou a escrever essa história?
Uma Canção para a Libélula é um livro que nasceu com um propósito maior. Mais do que qualquer uma das minhas histórias.
É um livro que fala sobre Depressão, e ele tem uma mensagem por trás de tudo o que acontece com a personagem. Queria que as pessoas vissem dentro da alma de quem está passando por isso, e as amassem e ajudassem.
Eu até me emociono falando sobre esse livro, porque ele é muito pessoal. É uma mensagem da minha alma pra alma do leitor, e se uma pessoa me fala que se sentiu tocada por ele, eu sinto que cumpri uma missão. 

3) Como é sua rotina para escrever? Tem um horário determinado ou escreve quando surge oportunidade?
Eu estou me impondo algumas metas. Quando escrevi os primeiros, eu deixava a imaginação fluir, qualquer hora, com espaçamento de dias... Deixava a inspiração mandar. Mas agora eu tenho isso como uma profissão, e é o que eu quero fazer para o resto da vida, então eu resolvi levar como uma coisa que eu tenho que fazer todo dia, como ir trabalhar mesmo. Minha meta diária são 10 mil palavras por dia, quando não estou no meu trabalho como psicóloga, e 5 mil, quando estou. Tem dado bem certo. 

4) Quando começou de fato a escrever já tinha toda a história na cabeça ou ela foi fluindo conforme colocava as ideias no papel?
Eu tinha grande parte dela. Tinha em mente de onde a personagem sairia, que ela passaria por uma determinada “transformação” e onde ela chegaria. Esses meios foram surgindo conforme fui escrevendo. Eu descobri a história junto com ela. 

5) Teve um "beta"? (Leitor com acesso ao livro antes da publicação, e sua leitura tem como premissa uma colaboração para a revisão e edição do livro)
Minha primeira beta foi uma das minhas melhores amigas, e foi com a primeira versão do livro. Depois, com as dicas dela, eu reescrevi tudo, e tive minha segunda beta, que foi uma amiga que conheci na blogosfera literária.
É a Helena Dias, do blog Café com Livro. Ela até hoje lê todos os meus livros e me ajuda muito a melhorar cada um deles. 

6) Compartilha um pouquinho dos seus livros com a gente. O que mais gosta neles?
O que eu mais gosto neles são minhas protagonistas (risos). Eu as chamo de minhas Vs. Todas elas tem um nome que começa com V, e esse é meu super segredo secreto de todos os tempos hahahahaha.
Neles eu posso colocar partes de mim que nunca revelei a ninguém, ao mesmo tempo que posso ser uma pessoa diferente. Uma heroína, uma pianista, uma menina perdida numa história que parece de Vampiros, mas não é. Sou uma necromante em outra história, e em mais uma, sou uma garota que conhece um garoto numa ilha de fantasmas. São plots que eu ainda não desenvolvi, mas que existem. Ou seja, através das minhas Vs, eu posso ser eu mesma e ser que eu quiser, então isso é o melhor de tudo! 

7) Como foi a escolha da editora para lançar o livro? Teve que enviar o manuscrito para várias editoras, como vemos em alguns filmes, ou conseguiu uma referência? Demorou pra conseguir uma resposta?
Eu enviei para várias editoras no primeiro livro e demorei muito para conseguir uma resposta. Mas no segundo, eu meio que escolhi a Editora que eu queria, e fui atrás dela. 

8) Quais foram as suas maiores dificuldades na carreia de autora? O que você pode dizer para os futuros escritores que estão começando a escrever seus livros?
A primeira, foi a publicação.
A segunda, foi aprender a me virar com parceiros, divulgação, sorteios. É muita coisa e às vezes você se perde. Algumas pessoas não entendem que você está aprendendo, que é uma pessoa ainda em desenvolvimento de carreira e que está à mercê de erros e esquecimentos, e acabam julgando você por um “erro”. Isso às vezes me afeta muito. Fico triste, choro. Mas estou aprendendo a lidar com essas pessoas, porque a maior parte dos meus companheiros de caminhada, sabem que o que eu quero mesmo é contar minhas histórias. É nelas que eu quero focar.
As histórias são o propósito, e não podemos perdê-lo de vista.
O que eu queria dizer a você que está começando é isso. Foco nas histórias e onde você quer chegar com elas. Tem muitos amigos que podem dar a mão para você e juntos vão lutar por ela, então não perca a força de vontade, procure sempre buscar ferramentas para melhorar os conteúdos, se auto critique, se ame, se ajude... Tem espaço para todo mundo!

9) De leitor para escritor: costuma ler muitos livros?
Sim! Eu leio muito!
Recentemente li um livro do Stephen King, chamado Sobre a Escrita. Nele o mestre fala algo que eu tinha muito comigo desde o começo. Sem muita leitura, não tem como haver escrita. E ele tem razão! 

10) Tem um momento ou uma citação de um livro que leu e goste muito que gostaria de compartilhar com a gente?
Minha frase de vida é algo que sempre coloco nos agradecimentos dos meus livros, e que contém uma gama muito grande de interpretações. Para mim, significa tudo o que eu passei e uma força para o que eu ainda vou passar na vida.

“Ainda que eu ande pelo Vale da Sombra da Morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo” – Salmo 23

As lutas não passam. As pessoas vão nos ferir sempre. Vão tentar destruir nossos sonhos e calar nossas histórias, mas tem uma força em algum lugar que nos movimenta, não tem? A minha, se chama Deus, e Ele sempre vai comigo até nos momentos difíceis. Busque a sua, e você sempre vai vencer. <3

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