Cheiro de livro novo: Ninguém Por Testemunha

Título: Ninguém por Testemunha
Autora: Elizabeth George
Páginas: 570
Editora: Rocco

E o Desafio de Livros Grossos continua! Esse foi meu segundo livro. Já deveria ter postado essa resenha faz dias, mas como teve o Natal e depois passei uns dias na casa do meu namorado, acabei ficando sem tempo. Com isso, fiquei um pouquinho atrasada no desafio, além de que escolhi um livro grande demais para ler, então acabei me enrolando.
Primeiro eu me arrependi de ter escolhido esse livro para o desafio. Ele é grande demais, até mesmo para um desafio de livros grossos haha. E ele é um tanto complexo, então achei ruim ter que lê-lo muito rápido, achei que precisava dedicar um tempo maior para absorver a quantidade de informações que a autora vai despejando. Demorei um pouco para conseguir pegar o ritmo desse livro, mas depois que consegui, a leitura fluiu super bem e eu gostei bastante da história.

Thomas Lynley é superintendente da New Scotland Yard em um caso sinistro. Casado há pouco tempo e prestes a se tornar papai, precisa enfrentar um serial killer que mata meninos por volta de 12 anos de idade em uma espécie de ritual de purificação. Recebe a ajuda de Barbara Havers, uma detetive que é um tantinho relaxada com sua aparência e tem uma certa mania de desrespeitar as ordens que recebe, mas que definitivamente tem uma intuição investigativa maravilhosa, e é amiga de Thomas há um bom tempo; e de Winston Nkata, recém-promovido sargento, que se sente um pouco deslocado por ser negro e ter um passado sombrio, mas é uma pessoa muito confiável e honesta.

Alguém está assassinando garotos e espalhando seus corpos por Londres. Todos possuem certas características da morte que os ligam, mas a polícia só percebe que quem está por trás disso é um assassino serial quando ocorre o quarto assassinato, de um menino que, diferentemente dos anteriores, é branco, o que descarta a possibilidade de a escolha dos garotos ser pela cor da pele (além de chamar mais atenção das autoridades e da mídia). Então a New Scotland Yard é chamada e Lynley assume a liderança de um grupo de investigadores para o caso, que tentam colher qualquer tipo de pista para prenderem o assassino antes que mais vítimas sejam feitas. Mas isso se mostra extremamente complicado, já que esse ser demonstra um alto conhecimento da cidade e sabe como atrair os garotos, matá-los e abandonar seus corpos sem deixar nenhum vestígio, nem testemunhas.

"— Não é possível ajudar a todos. Não se podem salvar todos eles.
— É o que dizemos para nós mesmos, não é?
— Que outra coisa deveríamos dizer?
— Que salvar a todos não é o que se exige de nós. O que temos de fazer é ajudar aqueles que cruzam nossos caminhos. E isso, policial, não consegui fazer.
— Mas que droga. Não seja tão duro consigo próprio. 
— Quem mais poderia ser duro comigo? Você? Porque aqui está exatamente aquilo em que acredito: se fôssemos mais duros conosco, mais crianças viveriam as vidas que todas as crianças merecem viver."

Lynley e sua equipe têm um grande trabalho pela frente, mas seria fácil demais sofrer pressão apenas da situação. Para piorar tudo, o superior de Lynley, Hillier, deseja fazer com que a imprensa fique por dentro das informações obtidas, para evitar especulações a respeito da demora da polícia em investigar os primeiros casos. Dar tanta abertura para a mídia no meio de um caso perigoso pode facilitar o surgimento de informações importantes, mas também pode afetar bastante a vida dos policiais envolvidos e até atrapalhar o desenrolar das investigações. Hillier é um homem muito autoritário e algumas vezes eu me perguntei se ele era mesmo um policial, porque parecia não saber o que era o certo a fazer.

Elizabeth vai desenvolvendo uma trama que nos revela com detalhes como a investigação é realizada, mostrando todos os passos que eles dão e como cada nova informação é subdividida em diversas missões, para investigar ao fundo qualquer pistazinha que eles encontrem, a fim de talvez ficaram mais próximos de descobrirem quem é o assassino. Somos inseridos no cansativo trabalho de investigação e no mundo que há por trás de cada atividade. Acompanhamos a rotina de Lynley, Havers e Winston, conhecendo melhor sobre suas vidas, além da de alguns suspeitos e, principalmente, acompanhamos os pensamentos e atividades do assassino (que é totalmente louco, só para confirmar). Entramos com tudo numa investigação que segue lentamente por caminhos tortuosos e becos sem saída, que leva a lugares com pessoas excluídas pela sociedade, menores infratores e até mesmo pornografia infantil.

"—Tudo em nossas vidas — disse ela, baixinho — leva para o que virá depois. Assim, um momento no tempo presente tem um ponto de referência no passado e outro no futuro. Quero que saiba que você, assim como é neste exato momento e como será para sempre, atende por completo às exigências atuais, Tommy. De um modo ou de outro. Seja o que for que sobrevenha. (...)
Mas, querido, deixe que eu lhe diga uma coisa: não há erros. Há apenas nossos desejos, nossas ações e as consequências que se derivam de ambos. Há apenas fatos, o modo como lidamos com eles e o que aprendemos no processo.
— Fácil demais — disse ele.
— Pelo contrário. Monumentalmente difícil."

Confesso que fiquei com muita raiva da imprensa em grande parte do livro. Nunca pensei no quanto eles poderiam ser chatos e inconvenientes, e no quanto eles realmente afetam a vida das pessoas. Nunca li nenhum livro que desse tanta importância a esse tópico, mas é um fato que hoje em dia a mídia está tão inserida na nossa rotina que eles acabam mesmo interferindo em muitas coisas, inclusive nas investigações criminais. #raiva
Uma coisa que foi bastante destacada no livro, o que me fez parar para refletir, foi o nível de segregação que ainda existe na nossa sociedade, até mesmo dentro da polícia, que deveria evitar isso. Segregação racial e financeira. A gente pode até pensar que é só aqui no Brasil que existe esse tipo de coisa, que pessoas negras e pobres, de um modo geral, vivem à margem da sociedade e estão destinadas a tornarem-se bandidos, mas com certeza não é apenas aqui. E a autora deixou isso bem claro no livro.
É um livro muito bom, apesar de ter umas partes meio desnecessárias (lê-se pornográficas. Tem pessoas que só pensam em sexo O.o), mas também achei um tanto pesado, com todas esses temas obscuros sendo jogados na nossa cara. Essa é a minha opinião. rs 

Dei uma pesquisada sobre os outros livros da Elizabeth, que possuem Lynley como personagem central, e parece que é uma série com 11 livros, mas apenas 5 foram publicados no Brasil. Uma pena, porque achei esse muito bom e fiquei com vontade de ler os outros. Quem sabe um dia?



Primeiro livro do Desafio: A Marca de Atena.
logoblog

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