Cheiro de livro novo: Julieta

Título: Julieta
Autora: Anne Fortier
Páginas: 441
Editora: Arqueiro

Depois que Isabela leu e resenhou esse livro, foi minha vez de pegar emprestado. Eu e minhas amigas estamos montando um tipo de empréstimo/rodízio dos nossos livros. haha
Adorei o livro, mas escolhi o pior momento possível para começar a lê-lo. Por ser grande e ter uma sinopse interessante, deixei para pegá-lo quando tivesse uma pausa das minhas provas, mas calculei mal o retorno delas e quase surtei nesse final de período porque não estava tendo tempo para ler e queria muito continuar a história. Estava ficando desesperada para o período acabar de uma vez e essa semana finalmente consegui pegar o livro e ler o mais rápido que consegui, para terminar logo. Demorei demaaais para ler e fiquei triste com isso, porque o livro é muito bom! Sem dúvida um dos melhores que li esse ano.

Julie Jacobs é uma mulher solitária, que faz de tudo para ser o oposto do que sua irmã gêmea, Janice, é. Tenta chamar a menor atenção possível, se veste de forma simples e mantém distância dos homens. Já Janice é insuportável, convencida, gosta de ser o centro das atenções e está sempre com um caso novo. Apesar de serem criadas nos Estados Unidos por sua tia-avó rica Rose desde os três anos de idade, pois seus pais morreram em um terrível acidente de carro em Siena, aonde nasceram, Julie não é muito ligada em luxo. Até que sua tia morre e ela recebe a notícia de que sua irmã herdou tudo e para ela sobrou apenas uma carta, entregue por Umberto, o mordomo, que revela que seu verdadeiro nome é Giulitta Tolomei. Além disso, tem um passaporte e uma passagem de avião para Siena. Com a promessa de encontrar um antigo tesouro da família, que sua mãe dedicou a vida a buscar, e sem ter mais nada a perder, Julie, ou melhor, Giulietta, parte para a Itália, um lugar que sua tia sempre as impediu de visitar.
Já durante a viagem, parece que Julie está tendo sorte. Ela conhece Eva Maria Salimbeni, que conhece muito mais sobre sua família do que ela já imaginou saber, e é super simpática, agindo rapidamente como se fossem amigas. Está disposta a ajudá-la no que precisar e a orientar na nova cidade. Mas sua sorte não dura muito, pois o afilhado de Eva Maria, Alessandro, não vai nem um pouco com a cara dela e essa apressada amizade entre as duas. Ele quer que Giulietta mantenha distância de sua madrinha e, apesar de ele ser lindo de morrer, ela não vai nem um pouco com a cara de Alessandro também.

"Existe a luxúria, como sabeis, e existe o amor. São coisas aparentadas, mas, ainda assim, muito diferentes. Comprazer-se com uma exige pouco mais do que uma fala melíflua e uma muda de roupa; para obter o outro, porém, o homem tem que abrir mão de sua costela. Em troca, sua mulher desfará o pecado de Eva e o reconduzirá ao Paraíso."

Giulietta fica ainda mais desanimada quando descobre que o tal tesouro que supostamente sua mãe tinha guardado para ela, não passava de um monte de papéis velhos, que parecem não fazer o menor sentido. Mas conforme ela vai lendo as histórias, percebe que é uma antiga versão de Romeu e Julieta. Na verdade, a verdadeira história de amor, entre Romeo Marescotti e Giulietta Tolomei, que aconteceu 600 anos atrás, e terminou de forma trágica por causa da família inimiga, os Salimbeni. Por causa dessa história, as famílias estão amaldiçoadas, e é provável que Giulitta esteja correndo grande perigo, primeiro por causa do seu nome, e segundo porque o que sua mãe deixou, na verdade, são pistas para encontrar algo que pode ser muito valioso.

"O essencial não é o que a maioria das pessoas pensa. Na minha opinião, sua história e também Romeu e Julieta não tem a ver com o amor. São sobre política e a mensagem é simples: quando os velhos brigam, são os jovens que morrem."

Então ela parte na caça ao tesouro, tentando acabar com a maldição e se manter viva. Em sua busca, conhece muitas pessoas, que sabem sobre sua família e sobre seus antepassados, mas é difícil saber quem é confiável ou não, e ela não sabe o quanto revelar e com quem compartilhar suas descobertas. Além disso, por ser Giulietta, não deveria ter um Romeo a sua procura?

"Tu acreditas que o grande amor traz em si as sementes de grandes sofrimentos. Bem, talvez tenhas razão. Talvez as pessoas sensatas evitem uma coisa para ficar a salvo da outra, mas eu preferiria ter meus olhos queimados em suas órbitas a nascer sem eles."

A autora revesa os capítulos entre a atualidade, com a investigação de Giulitta sobre sua família e o tesouro, e o ano de 1340, com a verdadeira história de Romeo e Giulitta. Achei muito legal a criação dessa história real, tornando até mais interessante do que a contada por Shakespeare (apesar de eu nunca ter lido a versão de Shakespeare, algumas vezes os personagens faziam comparações. Isso me deixou curiosa para ler Romeu e Julieta também).
Achei o livro bastante previsível em vários momentos, principalmente na parte do romance, mas isso não o torna menos emocionante e fofo. Ele também é bem surpreendente em algumas partes, enquanto Giulietta se aprofunda na sua história. O final é ao mesmo tempo previsível e surpreendente. Só posso adiantar que gostei muito do livro. Tenho uma quedinha por livros que misturam fatos históricos com ficção, fazem a gente acreditar que aquilo é realmente realidade. E a cada livro que eu leio que fala um pouquinho da Itália, me faz ter mais vontade de ir lá um dia. *-* rsrs


Resenha da Isabela aqui.
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