Livros *----* A Menina que Fazia Nevar




A Menina que Fazia Nevar. Autora: Grace McCleen. Editora: Paralela. Páginas: 312. Eu estava com muita expectativa para ler esse livro, o peguei para ler em busca de uma leitura leve e que me fizesse refletir. Já tinha visto várias resenhas positivas, que prometiam uma história repleta de fé, pureza, perseverança, que trata de questões como bulling, problemas de relacionamento e religião. Então, comecei minha leitura.

O livro é narrado por Judith McPherson, uma menina de 10 anos de idade, muito curiosa, ingenua, criativa, paciente, que não reclama de nada. Ela mora com o pai, sua mãe faleceu quando lhe deu a luz. Na verdade, eles ainda não superaram a morte da mãe. A menina se sente culpada e o pai não consegue suprir as necessidades afetivas da menina, ficando sempre um pouco distante, o que faz com que ela não se sinta amada por ele. Eles não são pobres mas também não levam uma vida cheia de regalias, o pai dela é um empregado da fábrica da cidade. Suas vidas são ditadas pela religião, vão aos Encontros nos finais de semana e frequentemente saem para bater nas portas das pessoas e lhes alertarem acerca do fim dos tempos, onde tudo seria perfeito novamente.

"Não tinha muita gente com quem conversar, além do Pai, então comecei a falar com Deus. Sempre achei que era só uma questão de tempo até Ele responder. Pensava nisso como uma chamada telefônica de longa distância. A linha era ruim, havia passarinhos sentados em cima dela, caía uma tempestade, então eu não conseguia entender o que a outra pessoa estava dizendo, mas nunca duvidei de que, no fim, iria ouvir. Aí um dia os pássaros saíram voando, a chuva parou e eu ouvi."

Apesar do livro não citar uma religião especifica, pelas descrições que Judith fez, eu acredito que eles fossem Testemunhas de Jeová. Pois assim como os personagens principais, os TJ's são conhecidos por baterem nas portas das pessoas para levar a revista "Despertai!", além do seu amplo conhecimento acerca da Bíblia. Eles não comemorarem o Natal, nem aniversários e são contra transfusões de sangue, apesar de não terem restrições contra bebidas alcoólicas. Sei disso porque meu avô já frequentou essa religião durante um momento da vida dele...

Por causa dessas coisas, Judith sofria muito bulling na escola e seu pai estava sendo perseguido no trabalho por ser contra a greve da fábrica. Até que, pensando em uma maneira de resolver seus problemas, ela começou a fazer neve na sua maquete de mundo feita de sucata, no seu quarto, onde ela gostava de brincar e contar histórias. E, surpreendentemente, a segunda feira, amanheceu branca, a neve cobria toda a cidade. Esse foi o primeiro milagre de Judith McPherson. Assim, ela também começou também a conversar com Deus,que era como uma voz em sua cabeça e algumas vezes a fazia se sentir bem e em outras a acusava fazendo com que ela se sentisse incapaz e culpada.

“A fé é igual à imaginação. Ela vê coisa onde não há nada, dá um salto e de repente você está voando.”

Eu me decepcionei com esse livro e acredito que não foi apenas por estar com muitas expectativas, porque eu terminei o livro totalmente revoltada com o final! O que foi aquilo? Bem, a menina realmente nos deu um grande exemplo de fé e perseverança. Sem contar, que os TJ's mostraram mais uma vez como são dedicados com o estudo da palavra, eu acho isso um grande exemplo também, dando de lavada em muita gente que se diz pertencer a uma religião quando não conhece nem os mandamentos principais da mesma. Mas olhando como meus críticos olhos cristãos, vi uma imagem completamente distorcida da figura de Deus. Judith conheceu um Deus que a incentivou a se vingar de Neil, quando isso é completamente anti-cristão. Ela ficou com um peso terrível sobre as suas costas, e ficou completamente sozinha. Eu ainda fiquei com dúvidas se aquela voz, na verdade, não era fruto de algum distúrbio psicológico e no final fosse descobrir que a menina estava doente.

Eu não gosto de dar menos de 3 estrelas para um livro, porque sempre penso em como o escritor deve ter tido trabalho e gostado do resultado final. Mas eu fiquei tão revoltada com esse livro que vou dar apenas 2 estrelas, me desculpe Grace, mas não dá pra agradar todo mundo, não é mesmo?! Resenhar um livro que a gente não curte muito, sempre é difícil, porque não é legal desencorajar as pessoas a lerem... Essa foi apenas a minha opinião, se você quer lê-lo, leia, você pode ter uma impressão completamente diferente da minha. 

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