Resenha Querido John


Título: Querido John. 
Autor: Nicholas Sparks. 
Editora: Novo Conceito. 
Páginas: 288. 
Autora da resenha: Mikaah.

Isso é algo que gostaria de fazer a bastante tempo, mas acabo deixando para depois. E Já que minha amiga Belinha (que meu namorado insiste em dizer que é nome de cachorro) está com esse blog agora, eu meio que me ofereci – leia-se praticamente implorei – para escrever algo para cá, e uma coisa levou a outra...

Decidi começar com uma resenha de “Querido John”, que é um livro que já li há algum tempo, então me desculpem se eu esquecer de mencionar alguma coisa. Aviso desde já que não vi o filme – culpem-me por ser uma irremediável leitora que não troca a magia das palavras por alguns minutos numa sala de cinema -, portanto, mudanças na cor do cabelo da personagem principal não estão em questão. Tentarei não “Spoilar”, por assim dizer (verbo que acabei de criar usando a licença poética e, caso você não esteja familiarizado com o termo, a palavra spoiler, que significa revelar alguma parte do enredo), mas perdoem-me por qualquer deslize, e se você não quiser arriscar, está totalmente em suas mãos se decidir parar sua leitura por aqui.

Em “Querido John”, conhecemos a história do soldado John – logicamente – e de Samantha, ou Sam, como ele prefere chamá-la. John, ao contrário da maioria dos “heróis” dos livros atuais, não tem nada de mágico ou especial. É só um cara comum com uma vida chata pra caramba e que, por não saber direito quem é e o que pretende fazer, decide procurar a razão de sua vida no exército. Acaba encontrando-a na garota religiosa e de cabelos morenos.

Gosto do jeito como Nicholas Sparks – o autor do livro – conduz suas histórias. Esse jeito possível e não-supernatural, que faz com que você realmente se identifique com o que lê. QJ é um desses livros em que você pensa “caramba, isso poderia acontecer comigo”. A forma como os dois se conhecem e o motivo pelo qual se apaixonam não é idealizada, não há uma força maior que os une. Conhecem-se pelo acaso ou destino, o que mais o leitor achar que deve ser.

Embora eu não seja particularmente uma adepta da crença do “amor a primeira vista”, o relacionamento – rápido – dos dois exerceu sobre mim aquele sentimento de torcida, de vontade de que tudo dê certo para os dois – o que, pelo clima melancólico do início do livro, não se tem certeza se acontecerá ou não.

Não sei se todos que o leram sofreram essa conexão, e duvido muito, mas me conectei com a história quando li sobre o irmão mais novo de determinado personagem - cujo nome não me lembro e que não faz diferença -, que é autista. Tenho um irmão – mais velho – que possui a doença, e não conheço o histórico de vida de Sparks, mas é impressionante como ele consegue retratar de forma bela a verdade que há nessa síndrome. O medo e a incerteza que te fazem pensar “o que acontecerá com esse personagem no fim?”. Acho incrível também a conexão que Sam parece ter com esse personagem que não é de sua família. Uma excelente demonstração do caráter da personagem. Acreditem, não é fácil conviver com as manias, medos e dúvidas de alguém que não tem controle sobre si mesmo.

Não posso revelar o fim do livro – não seria profissional -, mas posso dizer que “Querido John” é um daqueles exemplares cujo final não te deixa mal. Coisas acontecem inesperadas, mas pelo menos eu tive a sensação de que eram assim que deveriam ser. Nem tudo é como esperamos, e às vezes tudo sai do tipo “que droga, não é mesmo?”, mas a vida real também não é assim? Algumas coisas não acontecem independentemente do nosso controle?

“Querido John” merece ser destacado, entre tantos outros livros que já li, por me passar esse senso de realidade. Sparks consegue emocionar e prender o leitor com essa história fictícia-mas-que-poderia-ser-real, que demonstra que nem sempre as coisas terminam como gostaríamos.
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